bandeirante

Na História da exploração e colonização do Brasil, em especial no século XVII, ficaram conhecidos por bandeirantes os indivíduos que, integrados em expedições constituídas para o efeito (as bandeiras), se aventuravam no sertão desconhecido ou ainda mal conhecido, à procura de riquezas: metais preciosos, em especial a prata, pedras preciosas e semipreciosas, populações indígenas que pudessem ser submetidas à escravatura. Por vezes, o reconhecimento do território para a Coroa e o controlo de levantamentos dos Índios eram também objetivos das bandeiras.
Em muitos casos, os resultados destas expedições foram desastrosos para os povos autóctones, ora reduzidos à servidão, deslocados e descaracterizados na sua identidade cultural, ora dizimados, não tanto pela violência dos colonos como pelo contágio de doenças para as quais os seus organismos estavam desprovidos de defesas. Daqui resultaram significativas alterações no povoamento do interior do território.
Embora coexistissem com empreendimentos militares, as bandeiras, na sua maioria, tinham uma natureza distinta. Não eram diretamente promovidas pela Coroa nem pelas autoridades coloniais, contando, no entanto, com o seu apoio. Eram iniciativas privadas, em que uma determinada pessoa investia dinheiro, contratando homens e provendo-os de material, em troca de certos ganhos, geralmente metade dos Índios aprisionados e uma parte das pedras e metais preciosos encontrados.
A ação dos bandeirantes foi da maior importância na exploração do interior brasileiro, bem como na manutenção da economia da colónia, fosse pelas suas consequências para o comércio, fosse porque a captura de indígenas fornecia mão de obra para a agricultura. Para além disso, não pode deles ser dissociada a descoberta de metais preciosos em vários pontos, metais esses que marcaram o papel do Brasil no conjunto do Império Colonial Português ao longo do século XVIII.
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