banho

A purificação e a regeneração proporcionadas pelo banho naquele que é um dos rituais mais universais e antigos em todo o Mundo abrange as variadas fases da vida dos seres humanos. É um ritual observado no nascimento, no batismo, na puberdade e na morte. Ao banho estão necessariamente associados a água e o ato da imersão, uma espécie de regresso ao útero materno, que é a porta para um novo mundo simbólico. Significa também uma forma de conforto e proteção, de um repouso antes de um novo estádio de vida.
O banho é um ritual iniciático em muitas religiões e organizações secretas em todo o Mundo, já que com ele se pretende que o candidato simbolicamente se esqueça da sua vida anterior e assuma a nova vida como um compromisso para o futuro. Os gregos mergulhavam as estátuas dos seus deuses e deusas em banhos purificadores. Os cavaleiros da Idade Média também passavam por um banho iniciático e ritual. O carácter fertilizante do banho é reconhecido em algumas culturas em que os noivos se banham em fontes ou ribeiros sagrados.
O cristianismo vai continuar a usar o banho como um ritual de admissão, com S. João Batista a batizar, no rio Jordão, várias pessoas, entre elas o próprio Cristo. Mais tarde, o pudor cristão da Idade Média vai condenar o banho quente como lascivo e contrário à castidade, mantendo o banho frio como uma provação. Os banhos públicos comuns entre os árabes, os romanos e os primeiros cristãos foram mais tarde condenados pelas hierarquias eclesiásticas. Clemente de Alexandria entendia que apenas o banho por limpeza ou por uma questão de saúde seria recomendável, afastando a possibilidade da utilização dos banhos quentes por prazer ou para aquecer. Mais permissivo, Santo Agostinho permitia o uso do banho quente uma vez por mês. Os banhos frios ou gelados eram utilizados como forma de mortificação da carne pelos santos e ascetas.

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