Barca Processional

As barcas eram os meios de transporte preferidos pelos Egípcios entre dois ou mais templos ou santuários. Existiam dois tipos de barcas com funções litúrgicas ou religiosas: as "solares" e as "processionais". Estas eram essencialmente destinadas a transportar imagens das divindades do Antigo Egito entre templos. Eram transportadas pelos sacerdotes do culto do deus cuja imagem era colocada num santuário na embarcação, substituindo a cabina. A barca ostentava o éguis (ou aegis, "pedra de armas" ou divisa identificativa do deus) da divindade representada. Os sacerdotes levavam as barcas aos ombros, em procissões, como os andores modernos, usando grandes varas.
Entre as barcas processionais, existiam as mais pequenas, estas de se levarem em procissões, ou as grandes barcas navegáveis, que andavam no Nilo durante os grandes festivais náuticos do deus cultuado. As imagens eram depois levadas nas mais pequenas pelos sacerdotes, para o santuário do deus.
O modelo de ambas era o dos navios maiores que sulcavam o Nilo, mas reduzidos em tamanho para as barcas das procissões terrestres, com decoração e desenho a cargo dos sacerdotes, que as construíam muitas vezes. Estas eram colocadas ou sobre um plinto numa sala apropriada, com as varas de suporte e demais acessórios, ou então no santuário do deus no templo, no que se chama muitas vezes de "sala da barca". Era em alguns casos, como no templo de Horus, em Edfu, depostas numa antecâmara do santuário. Quando existiam tríades de deuses (três deuses cultuados) num templo, a cada um correspondia uma barca processional. Além destas, existiam ainda barcas em miniatura, que eram colocadas em "estações processionais" ou "pontos de descanso" ao longo do caminho percorrido pelos sacerdotes, como se fosse uma "via sacra".
As barcas mais conhecidas são as de Amon, de Osíris, de Sokar, de Hathor e de Rè. Percursos também famosos eram os feitos em navegação entre os templos de Luxor e Karnak, em Tebas (festival de Amon), e daqui para a margem ocidental, ou de Dendera até Edfu (para levar a deusa Hathor em visita a Hórus, a "festa do belo encontro"). A madeira, de acordo com papiros da XX Dinastia, a última do Império Novo (c. 1560-c. 1070 a. C.), provinha do Líbano: o seu famoso cedro. Podia haver mais madeiras, mas o valor e apreço desta entre os Egípcios e em todo o mundo antigo permitem supor que fosse a mais usada para as barcas processionais.
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