Barrancos


Aspetos Geográficos
O concelho de Barrancos, do distrito de Beja, situa-se no Alentejo (NUT II) e no Baixo Alentejo (NUT III). Ocupa uma área de 168,4 km2 e abrange uma freguesia: Barrancos.
O concelho encontra-se limitado a sul e a oeste por Moura, a noroeste por Mourão, no distrito de Évora, e a este e a norte por Espanha. Este concelho apresentava, em 2005, um total de 1841 habitantes.
O natural ou habitante de Barrancos denomina-se barranquenho.
Possui um tipo de clima mediterrânico, com um período seco de cerca de 80 a 100 dias, durante o verão, em que a temperatura média varia entre os 29 °C e os 31 °C. No inverno, as temperaturas são baixas (2 °C em média).
A sua morfologia é marcada pela serra de Colorada, com 392 metros de altitude.
Dos recursos hídricos, referência para a ribeira de Murtigão, a ribeira do Cadaval, a ribeira de Murtega e a ribeira de Ardila.

História e Monumentos
Em 1167, estas terras foram conquistadas aos Mouros por Gonçalo Mendes da Maia. Posteriormente, em 1200, procedeu-se ao seu repovoamento, por ordem de D. Sancho I.
A antiga vila de Noudar, que veio a ter um castelo, seria mais importante na altura do que Barrancos, e foi doada a D. Brites, mulher de Afonso III, em 1283, mas só em 1295 é que a vila de Noudar passou definitivamente a fazer parte de Portugal, sendo-lhe, no mesmo ano, outorgado foral por D. Dinis.
Em 1303, foi doada à Ordem de Avis, tendo o Mestre de Avis, D. Lourenço Afonso, fundado o castelo e a povoação da vila no ano de 1308.
Recebeu foral manuelino em 1513.
Em 1825, deu-se a extinção da vila de Noudar, dado que, pouco a pouco, foi sendo despovoada, e a sede de concelho passou a ser Barrancos.
No património arquitetónico, destaca-se o Castelo de Noudar (vestígios), concluído em 1308 e localizado num local estrategicamente bem situado. O castelo sofreu posteriormente várias reparações. A muralha é hexagonal. Existe, ainda, uma casa cilíndrica, de pedra solta e falsa abóbada, que rodeia o castelo medieval.
De destacar, ainda, embora já em ruínas, a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, a Casa do Governador e a igreja paroquial, datada de 1747, cujo altar de Nossa Senhora das Dores é anterior a esta data, de influência barroca, sendo, segundo consta, uma relíquia que proveio do desmantelamento da Igreja de Nossa Senhora do Desterro, em Noudar. É formada por três naves abobadadas e possui quatro altares expostos nas naves laterais, um dos quais com uma bela pintura de Nossa Senhora do Carmo. No local da igreja existiu anteriormente um outro edifício religioso, mas nada se sabe dele (devido a um incêndio que consumiu toda a documentação), nem sequer por tradição oral. Foi alvo de remodelação em 1925.

Tradições, Lendas e Curiosidades
No concelho as manifestações populares e culturais são numerosas, sendo de destacar o baile da Pinha, realizado no sábado seguinte ao Carnaval; o Dia de Flores, no qual se realiza uma romaria, na segunda segunda-feira, após o Domingo de Páscoa; o Dia da Padroeira Nossa Senhora da Conceição, a 8 de dezembro; a festa e o baile dos Quintos, realizando-se a festa na noite anterior à inspeção militar e o baile no sábado posterior; e, por último, as festas em honra de Nossa Senhora da Conceição, que decorrem nos dias 28, 29, 30 e 31 de agosto, sendo muito populares e conhecidas, quer pela realização de espetáculos de variedades na Praça da Liberdade, quer pela realização de bailes e, principalmente, pelas novilhadas, onde se matam os novilhos e as vacas nas chamadas "touradas de morte".
No artesanato, referência para as cadeiras de buinho, os cestos, as rendas e os bordados.

Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor primário, seguido do secundário, com as indústrias de salsicharia, de enchidos e de exploração de xisto, e só depois vem o terciário.
A agricultura mantém ainda uma importância muito significativa, fcom uma enorme percentagem de área concelhia dedicada à prática desta atividade, que ronda os 87% da área do concelho. Destacam-se, fundamentalmente, os cultivos de cereais para grão, os prados temporários e as culturas forrageiras, a horta familiar, o pousio, o olival, os prados e as pastagens permanentes.
A pecuária regista também alguma importância, nomeadamente na criação de ovinos, bovinos e suínos.
Cerca de 477 ha do seu território correspondem a área coberta de floresta.
Como referenciar: Barrancos in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-07 19:55:15]. Disponível na Internet: