Basílica de Santo Ambrogio
A basílica de Santo Ambrogio de Milão foi construída, no final do século XI, no local de um antigo templo cuja construção inicial remonta à época paleocristã (século IV). Pelas suas dimensões e qualidade artística denota a importância e prosperidade cultural da cidade durante a Idade Média.
A igreja é antecedida por um amplo nártex em forma de pátio porticado que culmina na fachada da igreja, formada por uma loggia (galeria com arcadas) de dois pisos em que os arcos do nível superior diminuem de tamanho para acompanhar a forma triangular do telhado. Um conjunto de arcarias cegas formando uma faixa contínua, utilizada como cornija decorativa sob o telhado, rematam as fachadas exteriores.
A torre meridional pertencia à anterior igreja do século IX sobre a qual a igreja de Santo Ambrogio foi erguida enquanto que a torre do lado esquerdo data do século XII.
O interior é formado por três naves, sendo a nave central mais alta e modulada em quatro tramos quadrados separados por grossos arcos torais e cobertos por abobadas de aresta de cruz. A largura da nave é ditada pela forma da abside semicircular, dotada de uma cripta de baixa altura coberta por pequenas abóbadas sustentada por uma floresta de pilares, também ela aproveitada da construção anterior do século IX. Embora não exista transepto, a transição entre o corpo do templo e a cabeceira é resolvido pela expansão vertical induzida pela torre-lanterna octogonal erguida sobre o último tramo. Esta torre assume a função primordial de iluminar o interior de um espaço que se apresenta bastante desprovido de aberturas.
A cobertura da nave é assegurada por uma abóbada em tijolo estruturada em tramos divididos por arcos torais em pedra e reforçada por um sistema de nervuras em aresta, também em tijolo. Esta solução construtivamente inovadora representa talvez a primeira construção de abóbadas reforçadas com nervuras, numa antecipação do sistema estrutural gótico. A cobertura, assumindo-se como o elemento construtivo e formal central do edifício, é responsável pela coerência e unidade de todo o organismo. De facto, a vasta abóbada exigiu um sistema estrutural que absorvesse as pressões, concretizado pela construção de abóbadas nas naves laterais e nas tribunas que contrariavam a descarga lateral da abóbada central. Este sistema contribui para a especificidade formal e espacial deste templo que se distinguia de outras construções românicas pela menor altura da nave e pelo gosto, talvez derivado do estilo paleocristão, por espaços amplos e largas assembleias.
Outro dos aspetos mais interessantes do espaço interior é a hierarquia das aberturas da parede da nave central, ritmada por pilares de dimensões diferentes em solução alternada pois, por cada tramo da nave maior existem dois tramos igualmente quadrados das naves laterais.
A existência destas naves e das tribunas rodeando o espaço central impediu o rasgamento de vãos laterais, ficando a iluminação do espaço interior reduzida à lanterna do cruzeiro e aos arcos da fachada poente.
Os elementos ornamentais e decorativos, de que fazem parte os capitéis ou o púlpito na nave apresentam claras influências germânicas.
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