Bela Lugosi

Ator húngaro, batizado Bela Ferenc Dezsö Blaskö, nasceu a 20 de outubro de 1882. Adotou mais tarde o sobrenome de Lugosi, nome da aldeia húngara onde nascera. O seu pai, bancário, não viu com bons olhos a opção do filho em estudar Drama na Academia de Artes Teatrais de Budapeste. Em 1901, estreou-se nos palcos da capital húngara. Cedo se tornou o ídolo das matinées do cinema húngaro, devido à sua elegância e porte altivo, participando em inúmeros títulos de aventuras e românticos. Tenente de Infantaria, foi incorporado no exército austro-húngaro durante a Primeira Grande Guerra, tendo sido ferido em combate por três vezes. Em 1919, seduzido pelos elevados cachets e pela má aceitação das suas ideias políticas de esquerda no seu país natal, tentou uma carreira cinematográfica na Alemanha, no que veio a ser bem sucedido. Em 1921, emigrou para os Estados Unidos, tendo participado em alguns filmes mudos. O seu primeiro filme relevante foi Wild Company (1930), de Leo McCarey. Três anos antes, conhecera um grande êxito nos palcos da Broadway com a adaptação da obra de Bram Stoker: Drácula. O seu sotaque e a sua figura austera tornaram-no o perfeito Conde Drácula. Em 1931, foi levado ao cinema. Lugosi foi a segunda opção, pois o ator que iria interpretar o vampiro (Lon Chaney) faleceu dias antes do início das filmagens. Dracula (Drácula, 1931) foi o primeiro filme de terror a conhecer um grande sucesso de bilheteira, o que levou os estúdios a apostar neste filão. Lugosi tornou-se um ator muito popular e as suas atuações seguintes raramente fugiram da temática do sobrenatural. Logo após ter assumido o papel do vampiro romeno, recusou-se a protagonizar Frankenstein (1931), papel que assentou que nem uma luva a Boris Karloff. Entre os seus filmes seguintes, contam-se The Black Cat (1934), The Raven (O Corvo, 1935) e Ninotchka (1939), ao lado de Greta Garbo. Nos anos 40 e 50, a reputação de Lugosi ficou seriamente abalada pelo facto de o ator ser viciado em morfina, o que levou os principais produtores de Hollywood a recusarem empregá-lo. Prosseguiu a sua carreira em filmes de série B de baixíssimo orçamento, sem conseguir esconder a sua dependência, muitas vezes tentando camuflá-la em plenas filmagens, diluindo a morfina em garrafas de vinho francês. No final da sua carreira, filmou com aquele que ganhou o epíteto de pior realizador do mundo: Edward D. Wood Junior. Morreu a 16 de agosto de 1956, vítima de um ataque cardíaco enquanto dormia, na sua residência em Los Angeles. Foi enterrado com a sua capa de Conde Drácula, conforme o seu desejo. Foi um fantástico Martin Landau que retratou a sua decadência no filme Ed Wood (1994), facto que lhe mereceu o Óscar para Melhor Ator Secundário.
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