Beldemónio

Destacado cronista, tradutor e contista da segunda metade do século XIX, foi, assim lhe chamou Albino Forjaz de Sampaio (in A musa loira, 2.ª ed.), "um guerrilheiro, um franco-atirador das letras".
Eduardo de Barros Lobo, seu verdadeiro nome, nasceu a 17 de dezembro de 1857, em Gouveia, e faleceu a 18 de dezembro de 1893, em Lisboa. Tendo frequentado o Seminário de Coimbra, mudou-se para o Porto, onde iniciou a sua carreira jornalística, colaborando em jornais como A Luta, Dez de março, O Primeiro de janeiro, A Folha Nova, O Jornal de Notícias, onde começou a assinar com o pseudónimo que o iria celebrizar, Beldemónio, e Vespas, revista humorística que fundou em 1880. Mudando-se para Lisboa, prosseguiu a sua carreira de cronista no Diário de Notícias e fundou os jornais de crítica social A Cega-Rega (1881), O Mandarim (1881), O Arauto (1886) e a revista A Má Língua (1889), cujo espírito de sátira mordaz lhe granjeou ataques e perseguições. Muitas das suas crónicas do quotidiano foram reunidas nos volumes Viagens no Chiado (1887) e Do Chiado a S. Bento (1890). Foi tradutor de Zola (A fortuna dos Rougon-Macquart, Germinal, O Fuzilado, O Sr. Ministro), de Balzac (Esplendores e misérias das grandes cortesãs, Ilusões perdidas, O Tio Goriot, Um começo de vida, A vendetta), de Guy de Maupassant (A Sereia) e de Alphonse Daudet (Safo). Os seus livros de contos, A musa loira e Contos imorais (ambos de 1890), revelam a influência da escola realista-naturalista, particularmente de Zola, autor que muito admirava.
Referindo-se às dificuldades da vida de Beldemónio (a morte sucessiva dos quatro filhos, a pobreza), Albino Forjaz de Sampaio resumiu: "Foi malquerido, foi odiado. Escritor elegantíssimo, quase feminil, da letra ao estilo, do estilo ao mignon das suas edições elzeverianas, passou a vida toda a cavar a prosa para arrancar dela o passadio exíguo. Escreveu, traduziu, inventou, sonhou muito. Todavia morreu pobre e esquecido."
Como referenciar: Beldemónio in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-01-20 10:33:32]. Disponível na Internet: