Belenzada

A chamada Belenzada foi uma tentativa de golpe de Estado que pretendeu fazer face à Revolução de setembro de 1836. Ocorreu de 2 a 4 de novembro desse mesmo ano e teve o apoio do rei Leopoldo da Bélgica.
O regime instituído com a Revolução de setembro retirava quase todo o poder à rainha D. Maria II. Desta forma, as tensões entre o novo Governo e a monarca começaram de imediato a verificar-se.
De Inglaterra veio apoiar a rainha uma frota, que ficou estacionada em Belém. Em Belém foi também instalar-se a corte a 3 de novembro, assim como algumas forças fiéis, de modo a poderem ser protegidas pelas armas inglesas. Ao que se julga, estaria a ser preparada a detenção do Governo, para o que a rainha o convocou a Belém. O Governo, porém, apercebeu-se do perigo e preparou-se para a defesa da nova ordem política. Sob o comando do marquês de Sá da Bandeira, o povo da capital pegou em armas, prestes a intervir. Entrando-se em negociações, chegou-se a um compromisso perante representantes diplomáticos da Inglaterra e da Bélgica. Ficou assente que se convocariam Cortes Constituintes com o objetivo de rever a Constituição de 1822 e a Carta Constitucional de 1826.
A Belenzada foi uma tentativa de golpe mal preparada, sem suporte militar significativo. Enfrentou, aliás, uma resistência popular inesperada. Por outro lado, a rainha viu-se comprometida na própria hipótese de recorrer à proteção britânica, pois isso seria interpretado como uma abdicação (se ela fosse para bordo de um navio inglês) ou como uma traição (se por ela os ingleses atacassem Portugal).
No ano seguinte, a reação conservadora conheceu novo episódio e nova derrota, com a Revolta dos Marechais.
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