Belfastada

O nome Belfastada designa um dos movimentos revolucionários portuenses contra D. Miguel, ocorridos após a restauração do poder absolutista, período marcado por uma grande instabilidade.
A revolta do Porto chegou ao conhecimento dos políticos liberais exilados em Londres. O marquês de Palmela, ao ser informado de que o seu rival político, o general Saldanha, estava decidido a viajar até ao Porto para assumir a liderança dos revoltosos, providenciou a sua partida imediata com o financiamento de um brasileiro de nome Itabaiana.
Para viajar até à Cidade Invicta fretou um barco a vapor chamado "Belfast", pela quantia de 47 libras diárias, embarcou em Plymouth, a 16 de junho de 1828, na companhia dos seus companheiros aristocratas liberais. Uma vez no Porto o marquês de Palmela entrou na Junta Revolucionária, e com ele os seus correlegionários da fação liberal mais moderada. O sucesso desta revolta foi seriamente comprometido pelas desavenças entre as duas fações liberais: a ala mais moderada de Palmela e a ala mais radical de Saldanha. Assim iria ser durante várias décadas.
O exército absolutista conseguiu chegar ao núcleo da revolta devido à inoperância de Saldanha. Desse modo, as tropas comandadas pelos generais Póvoas, Gaspar Teixeira e Álvaro da Costa não foram travadas pelos liberais.
A 30 de junho, Palmela passou em revista as tropas numa falsa ostentação de poder, pois de seguida recolheu-se em Santo Ovídio, na margem de Gaia, numa altura em que era certa a sua derrota. O Presidente da Junta e marechal de campo estava de tal modo convicto da sua derrota que pedira asilo ao comandante das tropas britânicas estacionadas no Douro.
Numa reunião extraordinária da Junta, a 2 de julho, foi decidida a sua dissolução e a retirada das tropas para a Galiza. Nessa noite, todos voltaram para o Belfast, à exceção de Sá Nogueira, o futuro marquês de Sá da Bandeira, do brigadeiro Pizarro, e do desembargador Teixeira Queirós. O vapor partiu no dia seguinte com destino a Inglaterra. Nesse dia, o exército real entrava na cidade, onde o que restava do exército liberal preparava a retirada para a Galiza sob as ordens de Sá Nogueira.
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