Benilde ou a Virgem Mãe

Baseando-se na peça homónima de José Régio, datada de 1947, Manoel de Oliveira escreveu o argumento e realizou, em 1974-75, Benilde ou a Virgem Mãe, um dos filmes mais incompreendidos da sua carreira enquanto cineasta. Essa incompreensão pode ser explicada de diversas maneiras: pela data de estreia, situada a poucos dias do 25 de novembro de 1975; pela temática, pois pretende denunciar uma hipocrisia religiosa e social latente; e ainda pela sua orientação estética, que cria uma ilusão teatral para convencer o espectador da realidade exposta.
É um filme colorido, com uma duração de 1h 52m. Constituiu uma produção conjunta do Centro Português de Cinema e da Tobis Portuguesa. A fotografia foi da responsabilidade de Elso Roque e a direção musical esteve a cargo de João Paes. Maria Amélia Aranda, Jorge Rolla, Jacinto Ramos, Maria Barroso, Glória de Matos e Varela Silva compõem o elenco de atores.
Benilde conta a história de uma jovem mãe que, ao confrontar-se com a sua gravidez, proclama ter sido alvo de uma conceção imaculada. Sujeita a um pai austero e castrador, e sendo criada na herdade deste, longe de tudo e de todos, Benilde recusa revelar a identidade do pai da criança. Talvez a culpa seja de um vagabundo que rodeava a casa, pensam os parentes para justificar o ato. O filme acaba deixando a conclusão em aberto e as justificações à liberdade do espectador.
Como referenciar: Benilde ou a Virgem Mãe in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-01-18 13:16:39]. Disponível na Internet: