Biblioteca Pública Municipal do Porto
Na área da freguesia do Bonfim e próximo do Jardim de S. Lázaro situa-se a Biblioteca Pública Municipal do Porto, ocupando as dependências do antigo Convento de Santo António da Cidade.
A fundação deste cenóbio aconteceu em 1783 pela mão da ordem franciscana dos frades menores reformados. As suas obras arrastaram-se para além de 1834, ano em que ocorreu a liberal extinção das ordens religiosas em Portugal. Ocupando o norte do edifício conventual, a igreja seria demolida.
A Biblioteca Municipal portuense ganhou letra de forma em 1833, designando-se então por Real Biblioteca do Porto, ocupando o demolido Hospício dos Franciscanos que se localizava na zona da Cordoaria.
Em 1841 foi inaugurada ao público, não já no sítio anterior, mas agora no Paço Episcopal, vindo a ser definitivamente transferida, um ano mais tarde, para o extinto convento franciscano de Santo António. Do seu importante acervo bibliográfico, o destaque vai para os manuscritos iluminados, nomeadamente a "Bíblia do século XIII" ou o Foral manuelino do Porto.
Configurando-se como um módulo retangular, as fachadas exteriores da biblioteca são austeras e isentas de elementos decorativos. Divididas em três pisos, estes são ritmados, no piso inferior, por janelas de guilhotina e portal desadornado; no piso intermédio rasgam-se retangulares varandas protegidas por gradeamento de ferro; o superior apresenta pequenas janelas retangulares. No topo da cobertura, marcando os ângulos do edifício, impõem-se acrotérios pinaculares.
A riqueza maior da biblioteca municipal portuense revela-se no seu interior, através de diversas coleções de azulejos entre os séculos XVI e XVIII, provenientes de vários conventos extintos.
No lado esquerdo do átrio surge um painel de grandes dimensões com azulejos azuis e brancos, obra da 2.ª metade do século XVIII e proveniente do conimbricense Convento de S. Francisco. No lado contrário estão dois outros painéis narrativos, igualmente da mesma época e em azul e branco, emoldurados por largas faixas policromas. Primitivamente, estes encontravam-se a forrar as paredes do refeitório de S. Bento da Vitória.
Outras dependências são decoradas com painéis de azulejos, nomeadamente o auditório que apresenta três painéis de azulejos pombalinos. No entanto, a maior diversidade artística e cromática concentra-se no claustro franciscano. Esta quadra da biblioteca conserva-se inalterada, com as suas galerias abobadadas e ritmadas por robustos pilares com colunas adossadas, sustentando arcos de volta perfeita. Os dois andares superiores são rasgados, no primeiro, por varandas balaustradas e rematadas por movimentados frontões curvilíneos, contrastando com a simplicidade das janelas do piso superior. No centro do claustro floresce um harmonioso jardim com uma elegante fonte central.
As paredes das galerias claustrais são forradas por painéis de azulejos, a maioria proveniente do portuense Mosteiro de Santa Clara, mas igualmente de outros cenóbios, como são o caso do demolido S. Bento de Ave-Maria (ocupado pela Estação de S. Bento), de Grijó ou de S. Francisco de Vila do Conde. Na sua maior parte apresentam padrões policromos de tapete e são datáveis do século XVII. De ressalvar a ala nascente do claustro, com pequenos painéis figurativos da 1.ª metade de Setecentos, ou ainda dois outros, de grandes dimensões, com azulejos hispano-mouriscos de aresta e dos inícios do século XVI.
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