Brás Garcia de Mascarenhas

Brás Garcia de Mascarenhas nasceu a 3 de fevereiro de 1596, em Avô, na província da Beira, e aí exerceu o cargo de governador. De origem nobre, era filho de Marcos Garcia e Helena Madeira. Como seus irmãos, foi estudioso da língua latina, que depois desenvolveu por iniciativa própria.
Foi preso por se ter envolvido com uma D. Dalila, aquando dos festejos celebrados no Terreiro de São Sam. Conseguiu, no entanto, evadir-se com ajuda do exterior, deixando ferido o carcereiro. Foi então para Madrid, corte de Espanha e Portugal, nesse tempo, onde se manteve durante um ano. Quando regressava a Portugal, o barco em que seguia foi atacado por uma nau turca. Brás G. de Mascarenhas salvou-se deste assalto porque uma outra nau, entretanto aparecida, afugentou os turcos e prendeu os portugueses, levando-os para uma praia italiana. Daqui viajou pela Itália, França e Espanha, regressando de novo a Portugal, onde, contudo, não tinham sido ainda esquecidas as razões que o levaram ao exílio.
Depois de passar algum tempo na cidade do Porto, e porque não se sentia seguro, partiu para o Brasil, onde integrou durante nove anos um batalhão contra os Holandeses. Apertado pelas saudades da pátria, regressa a Lisboa e de novo se envolve numa grave contenda, da qual resultam mortos e feridos. Só sai ilibado desta situação porque aderiu com empenho e sem hesitação ao movimento da Restauração contra o domínio dos Filipes. Porém, é preso mais tarde na Torre de Sabugal por ter desobedecido a uma ordem militar de D. Sancho Manoel, que o acusou de manter contactos ocultos com Castela, fundamentando-se numa correspondência que Garcia de Mascarenhas mantivera com um grande amigo de nome Maçacam. Privado de toda a comunicação e mal alimentado, Garcia de Mascarenhas, sentindo-se desamparado, solicitou que lhe concedessem um livro para aliviar o espírito, farinha para tratar os seus achaques e linha e tesoura para arranjar as suas roupas. Com estes instrumentos, que lhe foram concedidos, retalhou as letras do livro e com elas escreveu uma carta ao rei D. João IV, reclamando a sua inocência. Lida a carta, que lhe chegou através de um soldado confidente do preso, o rei ordenou de imediato a sua libertação.
Regressado à sua terra natal, dedica-se completamente às letras, recebendo e aconselhando os amigos, nomeadamente D. Rodrigo de Castro e D. Álvaro de Abranches.
Foi, sem dúvida, um homem dedicado aos seus príncipes e à Pátria.
Morreu a 8 de agosto de 1656.
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