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Brasil na 2.ª Guerra Mundial
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O Brasil participara já na Primeira Guerra Mundial (1914-18), entre finais de 1917 até à conclusão do conflito, na sequência do apresamento ou afundamento dos seus navios mercantes por submarinos e outros navios de guerra da Alemanha. No entanto, os torpedeamentos de navios mercantes brasileiros depois de 1939 foram muito mais intensos, principalmente em 1942, quando apenas entre fevereiro e julho se afundaram 14 embarcações no Atlântico. A 15 de agosto, esta espiral atingiu um clímax com o primeiro ataque em águas territoriais brasileiras por parte do submarino alemão U-507, que afundou o Baamendi e todos os seus 270 tripulantes. Na costa nordeste do Brasil, nos dias seguintes, aquele mesmo vaso de guerra alemão afundaria ainda mais quatro navios brasileiros, causando uma onda de choque no país e causando dificuldades aos apoiantes do nazismo no Brasil. Porém, apesar de certa resistência à pressão por parte do governo de Getúlio Vargas, o Brasil abandonou a sua neutralidade e declarou guerra à Alemanha a 31 de agosto.
Este governo fora muitas vezes acusado de simpatia ao regime fascista de Mussolini, logo ao Eixo, em boa parte devido à neutralidade bipolar do governo brasileiro, que tanto permitia a abertura dos portos do Brasil a embarcações do Eixo em demanda de matérias-primas (borracha, produtos agrícolas, minérios, etc.) cruciais à Guerra, como também permitiu a instalação de uma base americana em Natal, a troco de empréstimos com condições generosas, além do apoio, primeiro alemão, depois dos EUA, para construção do complexo siderúrgico em Volta Redonda (estado do Rio de Janeiro).
Os Aliados montaram um bloqueio naval do Brasil aos navios do Eixo, o que aumentou a tensão diplomática. A "neutralidade interesseira" do Brasil, como era apelidada pela imprensa brasileira coeva, estava a coberto do Tratado de Neutralidade do Panamá, de que muitas nações latino-americanas se tornaram signatárias. Alguns generais, como Dutra e Góis Monteiro, eram mesmo favoráveis à causa de guerra dos Nazis e Fascistas, na linha da ambiguidade do chefe de Estado, Getúlio Vargas, na sua posição face à invasão alemã da França em 1940. Este governante era também de tendência totalitária, como muitos dos seus conselheiros. Os Aliados chegaram mesmo a temer em relação ao alinhamento do Brasil numa sua eventual participação na Guerra, dada a simpatia pró-alemã e fascista.
Mas a associação com os EUA, envolvidos na Guerra depois do ataque japonês a Pearl Harbour, a 7 de dezembro de 1941, seis meses depois da aprovação do empréstimo ao Brasil para construir a siderurgia de Volta Redonda, mudou a política neutral do país. Só com a declaração de guerra à Alemanha, depois do ataque do U-507 é que os Aliados acalmaram ao ver o gigante produtor de matérias-primas estratégicas que era o Brasil alinhar do seu lado.
O presidente norte-americano Roosevelt visitou a base dos EUA em Natal, Nordeste do Brasil, em janeiro de 1943, prometendo armas e dinheiro ao Brasil, o que fez com que a declaração de guerra de 1942 se concretizasse com o envio do primeiro contingente da Força Expedicionária Brasileira (FEB, criada em agosto de 1943) para a Europa. No entanto, era composto por tropas mal preparadas para a guerra, a maioria negros, muitos dos quais recrutados nas favelas. Esperavam-se 100 000 homens na FEB, mas apenas 28 000 se apresentaram, primeiro com o objetivo de África, mas depois enviados para a Europa, em concreto para a Itália, depois do Afrika Korps de Rommel ter sido derrotado nas areias do Norte africano. Escalado para a Península Itálica, mais de 5000 soldados brasileiros embarcaram do Rio de Janeiro, a 30 de junho de 1944, rumo a Itália, numa operação secreta, no primeiro contingente. Ao todo, marcharam para Itália 25 334 soldados, sob o comando do general Mascarenhas de Moraes, incorporados no 4.º Corpo do Exército dos EUA, que, por sua vez, integrava o 15.º Grupo de Exércitos Aliados.
Muito sofreram na Europa, não só desajustados aos métodos de comando americanos (os Brasileiros seguiam modelos franceses) como também aos rigores do inverno italiano, comida desconhecida e uso de esquis ("uns troços com pranchas largas e umas bengalas", diziam). Estiveram 239 dias em guerra na Itália, desde 6 de setembro de 1944 até 2 de maio de 1945. Os Brasileiros estavam envolvidos na frente de luta pelas montanhas dos Apeninos, para permitir o aceso aos vales do Pó, no Norte de Itália, e depois aos Alpes e ao Reno, do outro lado desta última cordilheira. O ponto alto da intervenção do Brasil na Guerra foi na tomada – à quarta tentativa - de Monte Castelo, a 21 de fevereiro de 1945, ao fim de 12 horas de combate, seguindo-se a tomada de Montese, um dos atos heroicos da FEB, em abril daquele último ano de guerra. Tombaram na Itália 465 soldados brasileiros, tanto do Exército como da Força Aérea (400 missões de guerra), para além de 1517 feridos em combate e 658 "acidentados". Capturaram 20 000 soldados alemães e inúmeras munições e veículos de apoio. Os primeiro 4931 soldados da FEBN regressaram ao Rio a 18 de julho de 1945, iniciando-se uma série de desfiles de boas-vindas ao contingente.
Durante os dois anos em que o Brasil esteve em guerra, declarada e efetiva, sentiram-se várias alterações no dia a dia brasileiro, como os racionamentos de combustíveis, black-outs ("apagões" organizados) de eletricidade, sirenes de eventuais bombardeamentos, tudo principalmente na área do litoral. Por outro lado, não apenas devido à presença americana na base de Natal como na tendência do povo, assistiu-se a uma americanização do país. Todavia, era um país que lutou pela democracia, ao lado de países democráticos, mas que era governado por uma ditadura, que em tempos teve uma tendência totalitária muito pronunciada.
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Como referenciar
Brasil na 2.ª Guerra Mundial na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$brasil-na-2.-guerra-mundial [visualizado em 2026-06-14 10:52:36].
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