Brendan Francis Behan

Escritor irlandês, Brendan Francis Behan nasceu a 9 de fevereiro de 1923, em Dublin. Na altura do seu nascimento, o seu pai encontrava-se encarcerado numa prisão inglesa por se ter envolvido na revolta irlandesa de 1916-1922. Toda a sua família nutria ideais anti-britânicos. Embora tivesse crescido nos bairros mais pobres da cidade de Dublin, conseguiu obter uma educação pouco usual nesse ambiente, em grande parte devido ao grau cultural dos pais, literatos e republicanos. Estudou em instituições católicas até aos catorze anos, quando começou a trabalhar como pintor de paredes. As suas ligações com o IRA começaram bastante cedo: aos nove anos de idade pertenceu a uma organização juvenil mantida pelo movimento e, nos finais da década de 30, foi estafeta ao seu serviço.
Em 1939 foi condenado a três anos de reformatório, por haver tentado fazer explodir uma embarcação de guerra inglesa no porto de Liverpool. Regressou à Irlanda após a sua libertação mas, em 1942, foi de novo condenado, desta vez a catorze anos de prisão pela tentativa de homicídio de dois polícias. Cumpriu pena na prisão de Mountjoy e na prisão militar de Curragh. Foi libertado, em 1946, em consequência de uma amnistia geral. Em 1947 foi condenado a uma pena de curta duração, em Manchester, por ter supostamente ajudado um membro do IRA a fugir da prisão. Foi durante o seu encarceramento que Behan começou a escrever, sobretudo contos, em que explorava formas estilizadas do dialeto de Dublin.
Em 1949 formou-se como marinheiro profissional, passando então grande parte do seu tempo no mar. Em 1952 foi deportado para França, e passou depois a repartir o seu tempo entre Paris e Dublin, escrevendo para a radiodifusão e para a imprensa irlandesa. A sua primeira peça foi estreada em 1954. The QuareFellow condenava a pena de morte e a hipocrisia humana em relação a assuntos como o sexo, a religião e a política. A peça ganhou notoriedade em 1956, com uma representação num clube vanguardista.
Em 1958 publicou o seu romance mais conhecido, Borstal Boy. A obra baseava-se sobretudo nas experiências de vida de Behan enquanto detido na cadeia de Liverpool e no reformatório de Borstal. The Hostage (1958, O Refém), peça de teatro originalmente escrita em gaélico com o título An Giall, contava a história de um soldado britânico tornado refém num bordel gerido por um ex-comandante do IRA na zona mais duvidosa de Dublin. Foi aclamada em Londres, Paris e Nova Iorque.
A crítica que tanto o elogiou retratou-se, no entanto, talvez devido às afirmações contundentes que pronunciou contra ela. Disse dos críticos, em relação à escrita, serem "como eunucos num harém: sabem como é que se faz, viram-no a ser feito todos os dias, mas são eles próprios incapazes de o fazer".
Diz-se de Behan que passou a maior parte da sua vida entre o pub e a prisão. O alcoolismo inveterado levou-lhe a vida, aos quarenta e um ano de idade, num hospital de Dublin, a 20 de março de 1964.
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