Burdigala (Bordéus)

Antiga cidade da Gália e metrópole económica da Aquitânia II a partir da segunda metade do século IV até ao início do século VI. Capital do departamento da Gironda. É hoje a cidade de Bordéus. Foi desde sempre um importante centro de produção e distribuição de vinhos, motivo da cobiça de vários povos. A cidade foi incendiada e ocupada pelos bárbaros em 408, tendo sido posteriormente ocupada pelos francos sob Clodoveu (507). Sofreu a invasão muçulmana pelas tropas de Abd al-Rahman em 729. Foi reconquistada por Pepino, o Breve, e Carlos Magno criou o primeiro condado. Os normandos devastaram a cidade em 845. Passou depois para a jurisdição dos Condes de Poitiers, em 1032, dos Carpetianos, em 1137, e finalmente dos Plantagenetas, em 1152, devido ao casamento entre Leonor de Aquitânia e o rei da Inglaterra Henrique II. Foi durante esta época que Bordéus atingiu o seu poderio económico com base nos privilégios concedidos aos comerciantes bordaleses. Palco de algumas revoltas no século XV passaria definitivamente para as mãos dos franceses em 1453 sob Carlos VII, perdendo a sua liberdade e privilégios. Decorrente deste facto os burgueses insurgiram-se algumas vezes contra a gabelle.
Seria só no início do século XVIII, com a criação de uma Câmara de Comércio, que Bordéus viria a recuperar o seu poder económico proporcionado pelo comércio das ilhas, principalmente de escravos e de açúcar. Local onde se encontrava sediada a Academia de Bordéus, teve um papel muito importante na sua ligação à Revolução Francesa como cidade capital da Gironda.
Durante a Monarquia de julho a cidade renasce devido principalmente ao caminho de ferro e ao tratado franco-inglês de 1860, que proporcionou ao porto de Bordéus a oportunidade de controlo do comércio com o Brasil, as Antilhas e o Senegal.
Do espólio artístico da antiguidade romana restam alguns vestígios do anfiteatro e da arena do Alto-Império denominados palácio Galiano. São também da época romana a cripta e o pórtico da igreja de São Severino, quarto bispo de Bordéus, do início do século V. De épocas mais adiantadas salientam-se: a catedral gótica de Santo André, construída entre o século XII e XIV, com nave única de grandes dimensões, capelas radiantes e deambulatório, apresentando um portal flanqueado por duas torres sobrepujadas de flechas; a igreja de Santa Cruz, originária do século VII e reedificada no século X em estilo românico; dos séculos XIV-XV são também as igrejas de São Miguel, famosa pelo seu alto campanário; de Santo Elói e a reconstrução de Santa Eulália. As igrejas de S. Bruno e S. Paulo foram já construídas no século XVII e destacam-se pela qualidade da sua decoração interior. No século XVIII a cidade foi revestida de um carácter clássico, nomeadamente através do novo planeamento urbanístico e da construção de alguns edifícios, como é o caso do Grand-Théâtre de Victor Louis e alguns palácios.
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