burgo

Termo com raiz no latino burgus, designava aquilo que eram os primitivos municipia, castra, castella, urbes ou oppida. Os burgos foram comuns por todo o território europeu a partir do século XI, particularmente nas regiões em que existiam fronteiras, e consistiam em redutos localizados estrategicamente (que podiam ser senhoriais, abaciais e mesmo episcopais, assim como formações sobre antigas urbes romanas), dotados de fortificações e com defesa militar de cavalaria.
Em Portugal, a existência de burgos verificou-se sobretudo no Norte. A ampliação exterior dos burgos (na parte de fora das muralhas) devido à proteção militar que representavam tornou-os um centro privilegiado para a concentração dos praticantes de atividades económicas como artífices e mercadores, que nas épocas instáveis que foram os século X e XI encontraram nos burgos lugares seguros para a prática das suas profissões. Estes burgos, por se desenvolverem fora das fortificações, tomaram o nome de burgos forenses (também "portus", "suburbium" e "urbs exterior"). Tal foi o caso de locais como Castro Laboreiro, Porto, Vila Nova de Gaia, Constantim de Panóias, Tarouca, Arouca e Salzedas. Aliás, a intensidade das atividades que se desenvolviam nestes burgos é atestada pela presença de "judiarias", como acontece, por exemplo, em Salzedas. Os artesãos e artífices que aqui trabalhavam e que possuíam prédios urbanos deviam pagar um determinado censo por ano. Adquiriram com o tempo o nome de burgueses devido ao sítio em que estavam estabelecidos. O conceito de burguesia citadina foi contraposto ao de mundo rural, visto que neste as atividades não eram tanto comerciais, o dinheiro não tinha um papel tão preponderante e a densidade populacional era menor.
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