burguesia negra

O termo burguesia negra surgiu, pela primeira vez, nos Estados Unidos, na obra "Black Bourgeoisie", publicada em 1957 por E. Franklin Frazier, relativamente às famílias de classe média negra. Segundo a obra de Frazier, a atitude da classe média negra, ou das famílias afro-americanas que aspiram a esse estatuto social, distancia-se dos problemas das classes trabalhadoras e pobres da comunidade a que pertencem. Frazier ressalta o facto de que a chamada burguesia negra se preocupa mais com a imagem da sua posição social do que com a construção de uma base social e económica para a comunidade afro-americana nos EUA.
O movimento Black Power utilizou a expressão burguesia negra de uma forma negativa para identificar uma franja da classe média que tinha tendências de integração e identificação com a comunidade branca, nomeadamente quanto ao tratamento e à atitude discriminatórios relativamente à classe trabalhadora pobre e negra. Por arrastamento, eram considerados também de burguesia negra todos aqueles que não estivessem envolvidos nos movimentos civis de lutas sociais e políticas da comunidade afro-americana. O sociólogo William J. Wilson salientou as semelhanças em termos de educação e progressão social observadas entre as classes médias negra e branca, enquanto que a classe pobre negra se distanciava cada vez mais em termos sociais, económicos e mesmo geográficos da burguesia negra. Por seu lado, o autor Abdul Alkalimat defende que a posição da classe média afro-americana teve duas vertentes, já que as barreiras sociais que foram eliminadas de pouco serviram às classes economicamente desfavorecidas daquela comunidade. Se por um lado desencadeou grandes mudanças no seio da sociedade norte-americana ao aceder à educação e ao emprego qualificado com a consequente ascensão social e económica, por outro essas mesmas conquistas foram usadas para silenciar as classes trabalhadoras e pobres afro-americanas cuja situação não se alterou muito nas últimas décadas.
Na Grã-Bretanha, a burguesia negra surge nos finais da década de 80 constituída por empresários africanos, caribenhos e sul-asiáticos que se organizaram de forma a estabelecerem as suas pequenas ou médias empresas como reação de décadas de pobreza nunca resolvidas pelas diferentes políticas sociais levadas a cabo pelo Governo britânico. Embora este surto de livre iniciativa estivesse de acordo com as políticas neoliberais do Governo de Margaret Thatcher, a verdade é que a burguesia negra se deparou com uma série de dificuldades reais. Entre essas dificuldades estava o acesso difícil ao crédito bancário, a expansão das empresas para mercados fora dos das minorias étnicas e por último o facto de, nessa expansão, serem obrigados na prática a contratar empregados brancos já que muitas das empresas, organizações e bancos mostravam a sua preferência em lidar com brancos. Temendo perder as oportunidades de negócios muitas destas empresas da burguesia negra optaram por praticar o racismo como procuradores de interesses alheios.

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