Cabanagem
Foi uma revolta de contestação às condições de miséria e marginalização existentes na Província do Grão-Pará, Brasil, que decorreu entre 1835 e 1840.
Foi o primeiro movimento popular que conseguiu tomar o poder efetivo e o mais importante do período da Regência.
O termo cabanagem foi cunhado a partir das populações, os cabanos, que viviam em cabanas miseráveis nas margens dos cursos de água do estuário do Amazonas.
Esta população era composta pelos tapuios ou índios destribalizados, negros forros, mestiços e escravos. Os brancos, maioritariamente comerciantes de Portugal, viviam em Belém. Por ocasião da independência do Brasil, a Província do Grão-Pará combateu com êxito os resistentes à separação política de Portugal. Mas a sua contribuição para o esforço independentista foi esquecida, pouco depois, pelo poder central, o que desagradou aos habitantes da Província que se sentiram desprezados.
Desde 1831 que se vivia num clima de protesto e instabilidade mas a 7 de novembro de 1835, os cabanos acabaram por entrar na cidade de Belém. Nos confrontos, o presidente da província e o comandante das armas foram mortos. Os cabanos elegeram Clemente Malcher para presidente. Tratava-se de um fazendeiro que tinha já tomado parte em ações rebeldes anteriores Contudo, as dissensões no seio dos rebeldes levaram ao assassinato de Malcher e
Francisco Vinagre ocupou o cargo de presidente. Vinagre tentou organizar a Guarda Nacional e marcar eleições. Mas, na sua ânsia de estabilidade acabou pactuando com as forças do governo o que desagradou aos cabanos. Vinagre teve de fugir para o interior. Os cabanos não desistiram das suas intenções e com um exército de 3000 homens, sobretudo índios, negros e mestiços voltaram a atacar Belém. Desta vez, Eduardo Angelim, um jovem de 21 anos foi escolhido para presidente.
Ocupou o cargo durante 10 meses. Entretanto, as condições de vida deterioravam-se visivelmente sobretudo porque a fome se instalara com o abandono dos campos em favor da luta armada.
Em 1836, um novo governador foi escolhido para a Província do Grão-Pará. A repressão foi exemplar e cerca de 30 000 cabanos foram exterminados, com especial incidência sobre a população indígena. A luta continuou no interior por mais três anos. Por fim, uma amnistia em 1839 e a aniquilação do último foco de rebelião acabaram com o conflito.
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