caça e recoleção

No que diz respeito aos primeiros hominídeos, a caça e a necrofagia coexistem. Pelo contrário, admite-se que, de uma forma geral, o Homo erectus já dispunha de capacidades psíquicas e técnicas para ser um caçador eficaz. Mais precisamente, a ideia mais comummente aceite sugere a passagem progressiva de uma caça não especializada (Homo erectus), onde o caçador abate para transporte, a uma grande caça especializada (Homo sapiens neanderthalensis), onde o caçador abate em massa, bandos ou manadas. Ao contrário, no Mesolítico, como resposta às transformações ambientais, encontramos uma caça mais diversificada, apoiando-se numa estratégia de aquisição de alimentos generalizada e de uma eficácia cada vez maior da caça individual graças ao arco.
Antes da "revolução neolítica", os homens obtêm a sua subsistência da exploração direta da Natureza selvagem: caça, pesca e colheita; fala-se de predadores, de caçadores-recoletores. É quase impossível avaliar a importância relativa dos diferentes alimentos, já que os seus vestígios são quase inexistentes e alguns deles não deixaram mesmo qualquer evidência, tal é o caso da utilização do mel que só está atestada mais tardiamente pela arte rupestre ou por algumas associações polínicas. A partir do Neolítico, entra-se numa "economia de produção". No entanto, nunca se abandonou totalmente a exploração de recursos naturais e algumas técnicas são integralmente conservadas (pesca). Não há evidência das formas de repartição dos produtos entre os diferentes indivíduos nas populações paleolíticas. As desigualdades do espólio funerário que se observa no Neolítico e se afirmam de uma forma espetacular na Idade dos Metais devem ser interpretadas com precaução.
O nível de vida das populações pré-históricas foi sempre objeto de polémicas entre os arqueólogos.
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