Cadernos de Poesia

Revista literária, editada em Lisboa, de orientação eclética, que teve três séries, sendo a primeira (de 1940 a 1942) dirigida por Tomás Kim, José Blanc de Portugal e Ruy Cinatti.
Sob o emblema "Poesia é só uma", apresenta como objetivo "arquivar a atividade da poesia atual sem dependência de escolas ou grupos literários, estéticas ou doutrinas, fórmulas ou programas". Publicando tanto poetas inéditos, como a produção poética precedente, inclui textos poéticos, estudos, ensaios sobre poesia nacional e estrangeira. Distinguindo-se pelo seu ecletismo, publica autores conotados com as mais diversas tendências que marcaram a poesia dos anos 40 e 50 e acolhe textos de várias gerações poéticas: encontramos aí textos de Luís de Montalvor, João Cabral do Nascimento, João de Castro Osório, António de Sousa, Casais Monteiro, Afonso Duarte, Pedro Homem de Mello, Afonso Lopes Vieira, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner, Tomás Kim, Ruy Cinatti, José Blanc de Portugal, Jorge de Sena, António Ramos Rosa, Raul de Carvalho, Alexandre O'Neill, Fernando Lemos, Carlos Queirós, Adolfo Casais Monteiro, António de Sousa, Francisco Bugalho, Alberto Serpa, José Régio, Miguel Torga, Vitorino Nemésio, João Falco, João José Cochofel, Mário Dionísio, Fernando Namora, José Gomes Ferreira. No início da 2.a série (Lisboa, 1951), os organizadores (Jorge de Sena, Rui Cinatti, José Blanc de Portugal e José-Augusto França) explicam o que entendem pelo lema "A Poesia é só uma", invariavelmente repetido no limiar de todos os números, desde a fundação dos Cadernos de Poesia. A Poesia, com maiúscula, não é compreendida como entidade metafísica de que todas as manifestações poéticas seriam uma simples sombra, mas equivale a uma expressão poética que "com todos os seus ingredientes, recursos, apelos aos sentidos, resulta de um compromisso firmado entre um ser humano e o seu tempo, entre uma personalidade e uma sua consciência sensível do mundo, que mutuamente se definem. Tudo o que não atinge este nível não é poesia." Nesta aceção, o poeta é um "homem destinado a nele se definir a humanidade. Um ser capaz de ter todo o passado íntegro no presente e capaz de transformar o presente integralmente em futuro", através de uma "atitude de lucidez, compreensão e independência".
Como referenciar: Cadernos de Poesia in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-07-02 20:10:00]. Disponível na Internet: