Calheta (Madeira)


Aspetos Geográficos
O concelho de Calheta, situado na Madeira, faz parte da Região Autónoma da Madeira (RAM), que é simultaneamente NUT I, II e III, ocupa uma área de 110,3 km2 e abrange oito freguesias: Arco da Calheta, Calheta, Estreito da Calheta, Fajã da Ovelha, Jardim do Mar, Paul do Mar, Ponta do Pargo e Prazeres.
O concelho apresentava, em 2005, um total de 11 795 habitantes. O concelho encontra-se limitado a nordeste pelo concelho de Porto Moniz, a nordeste por S. Vicente, a sudeste por Ponta do Sol e a sul, sudoeste e oeste pelo oceano Atlântico.
Possui um clima de influência marítima, com verões amenos, em que a temperatura média ronda os 24 °C, e invernos também amenos, com temperaturas geralmente por volta dos 17 °C.
Apesar de ser, essencialmente, uma área de costa, banhado a oeste e a sul pelo oceano Atlântico, a sua morfologia é marcada por vários montes e serras, como sejam a do Alto da Ponte do Pargo, com 998 m de altitude, e o Pico da Cova Grande, com 887 m.
Como recursos hídricos tem a ribeira das Faias, a ribeira de S. Bartolomeu, a ribeira Funda, a ribeira da Atouguia e a ribeira da Calheta.

História e Monumentos
A génese e a história deste concelho estão intimamente relacionadas com a sua posição geostratégica na costa sul-sudoeste da ilha da Madeira. Na parte mais a sul desta costa, desde os primeiros tempos do povoamento da ilha, por volta de 1420, foram estabelecidos postos para arrecadação dos diferentes direitos que incidiam sobre o açúcar, as madeiras, etc. Estas estações de cobrança chamavam-se calhetas, designando o embarcadouro, e assim se estendeu o nome a toda a região próxima. Pensa-se também que a denominação "calheta" possa ter tido origem na designação dada a uma pequena baía ou enseada, que serviu de porto quando Gonçalves Zarco pretendia ir para terra, sendo essa a denominação atribuída, na altura, pelos descobridores.
A carta de criação da Vila Nova da Calheta data de julho de 1502, outorgada por D. Manuel. O atual concelho da Calheta foi criado em 1835.
A nível do património arquitetónico, destacam-se a Igreja Matriz do Espírito Santo, classificada como Imóvel de Interesse Público, de estilo manuelino, que conserva do barroco o sacrário de prata/ébano; a Casa da Misericórdia, instituída em 1535, também considerada Imóvel de Interesse Público; a Capela do Loreto, em Arco da Calheta, de estilo manuelino, que fazia parte do solar do neto de João Gonçalves Zarco e que conserva a pia batismal; a Igreja Paroquial de S. Brás, em Arco da Calheta, construída no século XVIII, e que possui dois quadros da escola portuguesa do século XVI, e a Capela dos Reis Magos, em Estreito da Calheta, de inícios do século XVI, constituída por um portal de arco gótico, um teto mudéjar e um retábulo flamengo.

Tradições, Lendas e Curiosidades
São diversas as manifestações populares e culturais no concelho, sendo de destacar: as festas do concelho em comemoração do S. João, a 24 de junho; os arraiais de Nossa Senhora do Loreto, a 3 de fevereiro e as festas de S. Brás, no Arco da Calheta; de Nossa Senhora da Graça, no Estreito; do Pero; das Neves, nos Prazeres, e da Tosquias de Ovelhas, no Lajeado.
No artesanato são de referir a produção de linho natural, por métodos artesanais, o trabalho dos vimes, para a elaboração de cestaria em vime, a realização de tapetes de retalhos, de bordados típicos e de vassouras de urze e a produção de rum de cana-de-açúcar.
Como figuras ilustres do concelho são de referir Pedro Gonçalves da Câmara, que era neto do descobridor oficial da ilha, João Gonçalves Zarco, e que residiu num solar morgadio, no concelho, e Francisco Homem de Gouveia, que fundou o morgadio e a Capela dos Reis Magos (início do século XVI).

Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor terciário, na área do comércio tradicional e dos serviços de hotelaria e turismo, logo seguidas das do setor secundário, nomeadamente as indústrias de serralharia civil, construção civil, panificação e laticínios.
No setor primário a agricultura mantém uma grande importância, destacando-se os cultivos de cereais para grão, os prados temporários e as culturas forrageiras, a cana-de-açúcar, a batata, as culturas hortícolas intensivas, os frutos subtropicais (banana) e a vinha. A pecuária tem também alguma importância, nomeadamente na criação de aves, coelhos e caprinos. Quase 30% (149 ha) do seu território são cobertos de floresta e cerca de 583 hectares correspondem a terrenos dedicados à prática agrícola.
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