Cancioneiro da Vaticana

O Cancioneiro da Vaticana é uma cópia quinhentista de uma coletânea, datável do século XIV, de textos poéticos compostos por trovadores galego-portugueses. Foi mandado copiar pelo colecionador italiano Angelo Colocci, provavelmente na Cúria, a partir de uma compilação trecentista - de que partiria também a cópia quinhentista designada Cancioneiro da Biblioteca Nacional (Colocci-Brancuti) -, correspondente talvez ao Livro das Cantigas mencionado no testamento do Conde de Barcelos, D. Pedro, e composta já num momento de maturação da poesia galego-portuguesa. Este manuscrito, que se encontra na Biblioteca Apostólica Vaticana (de onde deriva a sua denominação), foi objeto de uma cópia, atualmente na posse da Bancroft Library, realizada entre o fim do século XVI e início do século XVII, redescoberta em Madrid, por Francisco Adolfo Varnhagen, que dela fez uma edição parcial em 1870. Quanto ao Cancioneiro da Vaticana, foi parcialmente editado por Caetano Lopes de Moura, em 1847, e, em 1875, foi publicado em edição diplomática por Ernesto Monaci. Composto por cerca de 1200 composições, o códice, ao contrário do Cancioneiro da Biblioteca Nacional, parece transcrito por um único copista e com uma reduzida intervenção no texto do supervisor Angelo Colocci, oferecendo, deste modo, uma cópia esteticamente mais limpa, que faria talvez objeto de uma oferta. As composições correspondem, apenas com uma diferença quantitativa, de um modo geral, às do Cancioneiro da Biblioteca Nacional. Abarca, assim, o mesmo arco cronológico de autores, de fins do século XII a meados do século XIV, e obedece também a uma divisão de acordo com os três géneros canónicos, em cantigas de amor, em cantigas de amigo e em cantigas de escárnio e maldizer.
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