Cantiga de amigo

A par da cantiga de amor e da cantiga de escárnio e maldizer, a cantiga de amigo é um dos três grandes géneros em que se divide a lírica galego-portuguesa. A cantiga de amigo, colocando em cena uma donzela em situações da vida popular rural ou num ambiente doméstico, distingue-se por nela um sujeito enunciador feminino confidenciar à natureza, à mãe ou às amigas, o amor ou saudade de um amigo muitas vezes ausente. Formalmente, a cantiga de amigo privilegia o uso do refrão, do paralelismo e de esquemas estróficos breves. Evocando uma época primacial da história da poesia românica, encetada pelas carjas, as cantigas de amigo, pelos seus processos formais repetitivos e por uma certa participação anímica dos elementos da paisagem, remetem para um primitivismo que sobreviveu à influência da poesia provençal, conhecendo entre os seus mais exímios compositores o rei D. Dinis. Simultaneamente, a cantiga de amigo remete para um contexto em que o poema, enquanto forma literária, não conhece autonomia relativamente à música, ao canto e até à coreografia, embora tenha chegado até nós apenas a notação musical de seis cantigas de Martin Codax (Pergaminho Vindel) e de sete cantigas de D. Dinis (fragmento Sharrer).

De acordo com o tema tratado, as cantigas de amigo podem denominar-se alva, alba ou alvorada, barcarola ou marinha, bailia ou bailada e cantiga de romaria.
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