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Capela Real do Paço (Vendas Novas)
Esta capela real, de Vendas Novas, consagrada a Santo António, é uma obra do barroco joanino, possivelmente riscada ou orientada por algum dos arquitetos da corte de D. João V.
Integrando o amplo terreiro do palácio, a fachada desta capela é marcada por pilastras nos cunhais, rasgada ao centro por portal nobre em calcário, com as jambas em meia cana e frontão triangular com cruz latina relevada, sobrepujado por um recente nicho que alberga uma imagem de Sto. António, escultura seiscentista de terracota policromada. A empena superior é rematada por frontão triangular, com o tímpano preenchido por um luzeiro de oito raios em relevo, notando-se ainda na cimalha a pequena torre sineira.
Desenhando uma planta retangular, a nave está coberta por abóbada de berço, elegantemente ornamentada com pinturas a têmpera e a óleo, com símbolos eucarísticos e motivos fitomórficos de estilo rocaille. O pavimento da nave é constituído por placas de mármore geométricas e coloridas, em contraste com outras em ardósia. As paredes laterais são forradas por painéis de azulejos setecentistas, azuis e brancos, narrando episódios da vida da Virgem e de Cristo. No plano de fundo, outros painéis cerâmicos da mesma época revestem as paredes e aludem a S. Paulo Eremita, S. João de Deus e a S. Jerónimo.
Antecedido por um arco triunfal de volta perfeita e decorado por estrutura de talha setecentista marmoreada, no centro do qual está o escudo de D. João V, a capela-mor é um espaço retangular, coberto por abóbada de berço pintada por motivos geométricos e fitomórficos rocaille. Inferiormente, corre um lambril de azulejos setecentistas, azuis e brancos, mostrando atributos de Sto. António, ao mesmo tempo que narra dois episódios da vida deste santo: a Pregação aos Peixes e o Milagre da Mulinha. No lado do Evangelho abre-se a tribuna real setecentista.
Exposta numa das paredes está uma tábua representando a Santíssima Trindade, obra de pintura maneirista, provavelmente de uma oficina eborense e datável de cerca de 1560. O retábulo-mor é uma composição equilibrada do barroco joanino - pintado em tons de verde e ouro, influenciado pelas linhas clássicas do estilo romano e que foram empregues no notável retábulo da Capela de S. João Batista da Igreja de S. Roque, em Lisboa. No centro do camarim está uma pintura sobre tela representando a Assunção da Virgem venerada por três santos, obra realizada no primeiro terço do século XVIII e com influência da pintura italiana. Algumas imagens setecentistas em madeira estofada e policromada expõem-se na banqueta do altar-mor, nomeadamente as esculturas de S. Miguel e de S. Sebastião.
A sacristia é decorada por rodapé de azulejos setecentistas de figura avulsa, moldurados por encadeadas ramagens contracurvadas, mostrando ainda um paramenteiro feito em pau-brasil.
Do espólio que se guarda nesta capela, o destaque vai para duas obras de ourivesaria, um turíbulo de prata (c. 1750) e um relicário cruciforme do século XVII, com uma imagem de Cristo em marfim. Na paramentaria, referência para um conjunto completo de paramentos do século XVIII, feitos em seda branca, e ainda para duas dalmáticas seiscentistas.
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