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Carl Dreyer

Realizador de cinema dinamarquês, Carl Theodor Dreyer nasceu em 3 de fevereiro de 1889, em Copenhaga, filho ilegítimo de um rico lavrador sueco e da sua governanta. Foi adotado por uma família luterana. Em 1910, tornou-se jornalista e deu os primeiros passos no cinema como argumentista. Em 1919, estreou-se como realizador em Praesideten, mas o filme teve pouca projeção comercial. Foi em França que criou a sua obra-prima - La Passion de Jeanne d'Arc (A Paixão de Joana d'Arc, 1928), um filme histórico centrado no julgamento da heroína nacional francesa. Com esta obra, Dreyer revolucionou a técnica cinematográfica mundial, pois o filme foi uma sucessão de close-ups de natureza dramática. Depois de terminado, este filme esteve às portas da extinção, uma vez que o negativo original ardeu num incêndio durante uma sessão de montagem nos estúdios da UFA, o que levou Dreyer a optar por restaurar uma cópia. A sua obra seguinte foi um filme de terror, Vampyr (1932), que não foi bem recebida pelo público. Desiludido, Dreyer volta à Dinamarca e ao jornalismo. Só regressou ao cinema dez anos depois, com Modrehjaelpen (1942). Assinou nova obra polémica, ao criticar o puritanismo religioso com Ordet (A Palavra, 1955), um drama sobre a rivalidade entre duas famílias de camponeses, em que um filho de uma delas - que se julga a reencarnação de Jesus Cristo - ressuscita a sua cunhada que morrera durante o parto. Por esse filme, obteve o Leão de Ouro do Festival de Veneza, o seu maior galardão a nível internacional. A sua obra final foi Gertrud (1964), um drama psicológico sobre uma cantora que abdica da sua carreira para se casar com um político. Dreyer morreu em Copenhaga, a 20 de março de 1968. Para trás, deixou uma imagem de perfeccionista nato, de um realizador preocupado com a faceta psicológica das imagens e dos diálogos.
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