Carl Mydans

Fotojornalista norte-americano nascido a 20 de maio de 1907, em Boston, filho de um músico clássico, e falecido a 16 de agosto de 2004, vítima de ataque cardíaco, em Larchmont, Nova Iorque.
Aos 23 anos fez a licenciatura em jornalismo na Universidade de Boston, mas, entretanto, já tinha começado a trabalhar como repórter no Boston Globe. Mydans descobriu a vocação para o jornalismo quando frequentava a universidade, pondo de parte sonhos anteriores de ser construtor de barcos ou cirurgião.
Em 1935 foi recrutado pelo governo norte-americano para fazer trabalhos no interior do país para retratar a pobreza, de modo a atrair a atenção do povo para a necessidade de ajudar o mundo rural. Contudo, no ano seguinte foi contratado pela revista Life, expoente máximo do fotojornalismo, tendo sido o quinto fotógrafo a ser chamado pela nova publicação. Logo no primeiro ano de trabalho Mydans fotografou a produção do filme Souls at Sea, com Gary Cooper. Entre 1937 e 1938 viajou pelos Estados Unidos da América para fazer uma série de trabalhos em pequenas localidades, casou com a jornalista da Life Shelley Smith e, no ano seguinte, a revista resolveu fazer do casal uma equipa de reportagem, acabando por enviá-los para a Europa. No Velho Continente acompanharam a invasão da Finlândia pela Rússia, a tomada do poder dos fascistas em Itália e a queda de França nas mãos dos nazis.
Em 1941 o casal foi enviado para a China para fazer a cobertura da guerra sino-nipónica. Contudo, em 1942 foram capturados pelos chineses e estiveram detidos mais de oito meses até serem repatriados para os Estados Unidos da América.
Passados dois anos, regressaram à Europa para acompanhar as campanhas de guerra dos Aliados na França e em Itália e, no ano seguinte, estavam em Okinawa, na Guerra do Pacífico.
Em 1948 Carl Mydans foi o único jornalista a fazer a cobertura de um terramoto que vitimou cerca de 1600 pessoas em Tóquio, cidade onde passou a residir.
Já em 1950 e 1951 Mydans fez a cobertura da Guerra da Coreia, tendo obtido com as suas reportagens o U.S. Camera Magazine's Gold Achievement Award.
Mas para além da reportagem, Carl Mydans tinha bastante talento para fazer retratos, como ficou provado em 1955 quando fotografou Winston Churchill ou em 1958 o então senador John Fitzgerald Kennedy.
Em 1963 uma foto sua ficou famosa, no dia seguinte ao assassinato do presidente John F. Kennedy. Nela, vários transeuntes liam atentamente jornais com a manchete
"Presidente Shot Dead".
Carl Mydans trabalhou 40 anos para a Life, prosseguindo depois a sua carreira como freelancer.
Em 1986, já com 79 anos, regressou às Filipinas, onde tinha estado na década de 60, para assistir à queda do ditador Marcos. Apesar de maltratado pelos seguranças do presidente conseguiu fazer o seu trabalho.
Em 1991 Mydans recebeu o Prémio de Honra do "Visa Por L'Image", um prestigiado evento dedicado ao fotojornalismo que decorre anualmente em Perpignan, na França.
Para além da fotografia Carl Mydans também escreveu livros baseados nas suas notas de viagens, sendo o mais conhecido um de 1959 intitulado More Than Meets the Eye.

Como referenciar: Carl Mydans in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-12 06:46:59]. Disponível na Internet: