Carlos Paredes

Músico português nascido a 16 de fevereiro de 1925, em Coimbra, e falecido a 23 de julho de 2004, em Lisboa.
Carlos Paredes foi o continuador de uma tradição familiar de tocadores da guitarra portuguesa, pois tanto o seu pai, Artur Paredes, como o seu avô, Gonçalo Paredes, foram intérpretes inovadores desse instrumento.
Muito jovem, Carlos Paredes partiu para Lisboa, onde fez estudos liceais e musicais. Começou por estudar violino; no entanto, acabaria mais tarde por abandonar o estudo daquele instrumento para se dedicar inteiramente à guitarra. Desde os começos da década de 60 destacou-se como intérprete do chamado estilo de Coimbra, criado por seu pai, ficando o seu nome também ligado ao novo cinema nacional, que encontrou no som da guitarra o suporte para cimentar o seu carácter português. Conseguindo dar ao seu instrumento uma nova dimensão sonora, Carlos Paredes escreveu música para filmes e para peças de teatro. Algumas das suas obras foram coreografadas. Deu concertos nos cinco continentes e recebeu vários prémios da crítica, alcançando um prestígio inigualado por outros instrumentistas da guitarra. Ele próprio reconheceu a sua "propensão para o virtuosismo e o melodismo de sugestão violinística". Deve-se-lhe, não apenas o aperfeiçoamento estrutural da guitarra portuguesa, mas também a criação da guitarra-baixo. Entre os álbuns que gravou, encontram-se Carlos Paredes (1957), o seu álbum de estreia, Guitarra Portuguesa (1967), Movimento Perpétuo (1972), Concerto em Frankfurt (1983, reeditado em CD em 1990) e Espelho de Sons (1988). Além do seu trabalho como músico, realizou ainda a produção e direção musical do disco Meus Pais (1970), de Cecília de Melo, acompanhando a cantora à guitarra e musicou poemas de Manuel Alegre, ditos pelo próprio, no disco É Preciso Um País (1975). Nesta altura, o cantor realizava as gravações do sucessor de Movimento Perpétuo. As sessões foram interrompidas e retomadas diversas vezes, dada a insatisfação do músico com o trabalho conseguido. Dessas sessões acabou por nunca resultar um disco e apenas algumas faixas foram editadas, sob o título O Oiro e o Trigo (1977), edição consentida por Carlos Paredes mas sem o acordo da sua editora, a Valentim de Carvalho. Esta situação esteve na base da rutura entre o músico e a editora.
Em Invenções Livres (1986), o músico colaborou com o maestro António Vitorino d'Almeida, num trabalho ainda hoje muito saudado pela crítica clássica, um disco de improvisações de guitarra portuguesa e piano.Também no domínio das parcerias, surgiu, em 1990, Dialogues, um disco que juntou o mestre da guitarra portuguesa ao contrabaixista Charlie Haden, nome consagrado no mundo do jazz.
A ligação com a Valentim de Carvalho foi retomada no final de 1990. A editora lançou, em 1993, uma compilação temática com gravações do guitarrista, de José Afonso e Luiz Goes. No final desse ano, o mestre adoeceu, refém de uma mielopatia que lhe prendeu os movimentos e o afastou do seu trabalho e da guitarra que sempre o acompanhou.
Na Corrente, saído para as lojas em 1996, reuniu todo o trabalho do músico na Valentim de Carvalho, antes da separação, e ainda algumas raridades. Quatro anos mais tarde foi lançado o último registo discográfico do músico, aproveitando o trabalho das últimas sessões de gravação que realizou em 1993, já limitado pela doença. Intitulado Canções Para Titi, o disco contém oito composições inéditas.
No ano de 2003, homenageando os 10 anos de retiro do cantor, foi lançada uma edição de luxo, com oito CD e um livro com uma biografia do músico, com o título O Mundo Segundo Carlos Paredes. Nos últimos anos, Carlos Paredes manteve-se afastado da atividade artística por motivos de saúde. Quando morreu, aos 79 anos de idade, foi decretado um dia de Luto Nacional.
Como referenciar: Carlos Paredes in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-01-16 06:56:36]. Disponível na Internet: