Casa da Carreira (Viana do Castelo)

Atual edifício da Câmara Municipal de Viana do Castelo, a denominada Casa da Carreira é um dos mais elegantes exemplares de arquitetura civil desta cidade do Alto Minho, equilibrado no seu jogo simétrico e na sua contida e graciosa decoração.
Nela coexistem diferentes fases construtivas. Com efeito, a Casa da Carreira começou a ser delineada no primeiro quartel do século XVI, dentro de uma linguagem marcadamente manuelina, vindo a ser modificada entre o final do século XVII e os começos de Setecentos, ostentando a gramática arquitetónica de um Barroco depurado e de feição classicizante.
Esta casa senhorial foi fundado por Fernão Botelho, fidalgo que se estabeleceu em Viana do Castelo no ano de 1519, altura em que foi distinguido por D. Manuel I com a comenda de S. João de Cabanas, em virtude dos serviços prestados no Norte de África. Em Viana casa com Catarina Fagundes, fidalga de posses e ligada a importante família local. A Casa da Carreira já estaria em obras no ano de 1531, data em que se começou a rasgar a Rua Nova de Sant'Ana em propriedades pertencentes à família da mulher de Fernão Botelho, terrenos esses em que este último se encontrava a edificar a sua casa.
A fachada nobre da Casa da Carreira localiza-se na Rua Cândido dos Reis e manteve as características do século XVI, isto apesar de ter sofrido modificações posteriores. A sua forma construtiva apoia-se numa simetria estrutural e num decorativismo excessivo, próprio da linguagem plástica da arte manuelina.
Assim, a sua longa fachada é rigorosamente dividida em dez tramos nos seus dois pisos. O piso térreo apresenta dois portais principais, obra de aparato constituído por colunas torsas e vergas mistilíneas, ladeadas superiormente por cogulhos naturalistas. Ao centro rasgam-se outros dois portais, estes mais contidos nas soluções formais apresentadas. Entre as portas abrem-se janelas simples de vão retangular e protegidas por gradeamento. O piso superior é ritmado por janelas geminadas e maineladas, com rendilhado alfiz, alternando com varandas de idêntico recorte decorativo e estrutura arquitetónica. Destacam-se duas pela sua composição de efeitos plásticos excessivos e dentro dos cânones da arte manuelina. No século XVIII, a cornija superior e as vergas retas das janelas e varandas introduziram uma nota de sabor classicizante ao conjunto quinhentista. Ao centro foi-lhe justaposto um exuberante brasão barroco. Superiormente corre platibanda composta por ameias chanfradas.
A fachada da casa virada a norte foi edificada entre 1691 e o ano de 1705, possuindo um ritmo e um ordenamento rigorosamente simétrico, apenas alterado pela superfície correspondente à capela. Dividida em dois pisos, esta fachada ganha importância nas linhas clássicas do andar superior, onde varandas de vão retangular, encimadas por moldurado frontão triangular, alternam com janelas de idêntica configuração.
No extremo da fachada norte está marcado o nobre perfil da capela, proporcionada e harmoniosa nas suas linhas de um Barroco depurado. Ladeado por pilastras almofadadas abre-se o portal nobre, de vão retangular e sobrepujado por frontão de linhas curvas interrompido por brasão de armas. O andar superior apresenta grande janelão interrompido por saliente cornija, ladeado por aletas e rematado por frontão triangular.
No seu interior está colocado um sumptuoso retábulo de talha dourada, obra barroca filiada no Estilo Nacional, da transição do século XVII para o século XVIII, provavelmente saída do risco do mestre Vila Lobos.
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