Casa Schröder

Projetada em 1920 pelo arquiteto holandês Gerrit Rietveld e pela designer Truus Schröder, a Casa Schröder é um dos poucos edifícios representativos do movimento neoplasticista e, em muitos aspetos, a concretização dos famosos "16 pontos de uma arquitetura plástica" formulados por Theo van Doesburg, um dos principais teóricos desta corrente.
Implantando-se numa longa rua tradicional de Utreque, na Holanda, no final de uma banda de casas construídas nos últimos anos do século XIX, este edifício afirma-se pela radicalidade da sua linguagem, em total rutura com as arquiteturas que a cercam. Encomendada pela decoradora de interiores Truus Schröder-Schräder ao arquiteto e fabricante de móveis Gerrit Rietveld, esta casa resultou de um trabalho de equipa onde participaram os dois artistas que anteciparia uma série de outros projetos realizados também em colaboração.
O projeto parte de um volume simples cúbico que sofre um processo complexo de decomposição em planos coloridos seguindo uma gramática de geometria severa onde impera o ângulo reto. Os planos quadrados e retangulares, pintados com tons neutros (numa gama alargada de cinzentos) contrastam com as cores primárias dos elementos lineares de ligação. Neste projeto, Rietveld conseguiu introduzir na linguagem arquitetónica as pesquisas estéticas de carácter bidimensional de Mondrian (cujas pinturas combinavam manchas de cores primárias com grelhas formadas por linhas horizontais e verticais), alargando as suas próprias conquistas tridimensionais contidas na cadeira "Azul-Vermelha" de 1918. De facto, esta casa tornou-se, em 1920, o manifesto arquitetónico do Neoplasticismo, correspondendo, de certa forma, à concretização dos "16 pontos duma arquitetura plástica", ensaio de Van Doesburg publicado na altura em que Rietveld projetava a Casa Schröder.
Esta ideia de destruição da caixa (numa posição anticubista que procurava anular as arestas rígidas dos volumes puristas) avançou também para uma conceção inovadora do interior onde Rietveld aplicou pela primeira vez uma densa e complexa interpenetração dos espaços. Esta espacialidade era possível graças à utilização de uma estrutura ligeira formada por vigas de aço que reduzia as paredes à função de preenchimento, o que permitia grande flexibilidade na definição dos limites espaciais (das salas e dos quartos) e da relação entre interior e exterior. Se o piso inferior não revelava, na sua organização interior, grande originalidade, já o nível superior se apresentava bastante complexo pois a sua planta era integralmente transformável numa única sala, pela deslocação das paredes deslizantes que encerravam os vários espaços (três quartos, uma instalação sanitária e uma sala de jantar). O revestimento do pavimento deste piso, com materiais de diferentes cores permitia revelar estas separações espaciais. Também os móveis que equipam a casa foram na íntegra desenhados pelos dois artistas.
Tendo instalado aqui o seu atelier em 1925, esta casa tornou-se na habitação permanente de Rietveld durante os seus últimos seis anos de vida.
Em 2000 foi classificada pela UNESCO Património Cultural da Humanidade.
Como referenciar: Porto Editora – Casa Schröder na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-17 07:00:32]. Disponível em