caso
1. Forma morfológica que um dado sintagma nominal apresenta e que indica a sua função sintática na frase. O caso é uma manifestação morfológica que se enquadra no processo da flexão de palavras e que ocorre em certas línguas, ditas casuais (como o latim, o grego antigo, o alemão e as línguas eslavas - polaco, checo, esloveno, russo, ucraniano, etc.), cujas funções sintáticas não são marcadas pela posição relativa do sintagma nominal na frase, mas sim, por desinências flexionais. O latim, uma das línguas que apresenta um sistema casual mais complexo, possui um sistema de seis casos (nominativo, vocativo, genitivo, acusativo, dativo e ablativo) que afeta nomes, adjetivos e pronomes. Outras línguas, como o esquimó e o basco, apresentam ainda o caso ergativo.
A flexão casual manifesta-se na alteração das desinências da mesma palavra, como pode ver-se na declinação da palavra latina puer (rapaz):
Nominativo (sujeito, predicativo do sujeito): puer (sing.)/ pueri (pl.)
Vocativo (vocativo): puer (sing.)/ pueri (pl.)
Genitivo (complemento determinativo do nome): pueri (sing.)/ puerorum (pl.)
Acusativo (complemento direto): puerum (sing.)/ pueros (pl.)
Dativo (complemento indireto): puero (sing.)/ pueris (pl.)Ablativo (complemento circunstancial): puero (sing.)/ pueris (pl.)
Sendo o latim uma língua que apresentava ordem livre das palavras na frase, o caso servia para identificar a função sintática da palavra: [Bono civi]Dativo [cara]Nominativo est [patria]Nominativo (A pátria é querida ao bom cidadão).
Em português subsistem alguns vestígios da flexão casual latina na flexão dos pronomes pessoais, que apresentam uma forma para o sujeito (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas), outra para o complemento direto (me, te, o/a, nos, vos, os/as), outra para o complemento indireto (me, te, lhe, nos, vos, lhes) e outra ainda para os complementos antecedidos de preposição (mim, ti, si, nós, vós, si). A flexão latina foi substituída, nas línguas românicas, pela posição das palavras na frase, o que fez do português uma língua SVO, i.e, uma língua cuja ordem sintática mais esperada é a sequência sujeito-verbo-objeto. A colocação das preposições antecedendo os nomes veio substituir no português, como nas restantes línguas românicas, os casos do genitivo, do dativo e do ablativo.
2. Na Gramática de Casos (J. Gruber, 1965 e C. Fillmore, 1970), um dos desenvolvimentos seguidos pela gramática generativa, o caso corresponde à função semântica ou temática desempenhada pelos argumentos de um verbo, dando origem a uma tipologia de "casos" ou funções, de onde se destacam o agente, o beneficiário, o tema, o experienciador, o objeto, o locativo, etc.
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