Castelo de Linhares

Desconhece-se se o local onde se ergue o castelo, no concelho de Celorico da Beira, tem ou não povoamento romano ou pré-romano. Certo é que foi este o local, determinado pela passagem da via antiga, possivelmente romana, que percorre a zona sul do morro, escolhido para a edificação de uma fortaleza mourisca. Em tempos de D. Afonso Henriques este território passa definitivamente a ser português com foral outorgado por forma a fixar, através de amplos privilégios concedidos, as populações no local.
A via que atrás foi referida, contínuo corredor de exércitos, representava igualmente, durante longo período, uma ameaça eminente. Conta-se que em tempos de D. Sancho I, quando eram alcaides de Linhares e Celorico da Beira, respetivamente, Rodrigo e Gonçalo Mendes, foi este Castelo cercado por um forte exército leonês. Rodrigo, prestando auxílio imediato ao seu irmão, prepara com os seus homens um ataque surpresa ao inimigo. Deslocam-se, para este efeito, na calada da noite, em direção a Celorico, auxiliados apenas pela luz pálida do luar e pela fé em Nossa Senhora dos Açores. Os leoneses levantaram em retirada e, em agradecimento à Santa que correspondeu às preces, ainda hoje se faz uma romaria, a 3 de maio, à capela da Senhora dos Açores erguida no local, a meio caminho entre Celorico e Linhares.
A D. Dinis, como aconteceu com grande parte das fortificações portuguesas, devem-se amplas obras de construção e reconstrução do castelo. Este monumento militar é constituído por dois amplos terreiros separados por uma forte muralha em bom aparelho de granito. O primeiro destinava-se a albergar a antiga vila; o segundo, a praça de armas, com a torre de menagem erguida no ponto mais alto e protegida pelos espessos paramentos de silharia granítica.
Durante a crise de 1383-1385, o alcaide do Castelo de Linhares tomou o partido de D. Beatriz. O Mestre de Avis colocou então nesse lugar um homem da sua confiança. Sucedeu-lhe Martim Vasques da Cunha que se iria destacar na batalha de Trancoso.
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