Castelo de Marialva

Protegida pelas muralhas graníticas do castelo medieval, a vila de "Maria Alva" - mulher a quem terá sido concedido por D. Afonso II o senhorio desta povoação histórica - situa-se na Beira Alta, nas terras de Ribacôa, possivelmente subsidiária de um antigo castro pré-romano e da romana Civitas Aravorum.
Vítima de sucessivas reconquistas e perdas, o Castro de S. Justo - assim se designava o castelo de Marialva até ao século XI e que teve a origem da sua denominação no período de dominação dos Godos - e a vila de Marialva encontravam-se, ao tempo de D. Afonso Henriques, abandonados e muito arruinados. Este monarca procedeu à sua restauração e repovoamento, ao mesmo tempo que emitia uma carta de foral, confirmada por D. Afonso II e D. Dinis. Em tempo de D. Manuel I, corria o ano de 1512, a povoação seria reconfirmada e o castelo receberia também obras de beneficiação, retomadas na segunda metade do século XVI, durante a regência de D. Catarina de Áustria, avó do futuro D. Sebastião.
Retornando aos primórdios da Nacionalidade, D. Sancho I continuou a reconstrução do castelo de Marialva, que seria objeto de profunda remodelação no reinado de D. Dinis, dado a proximidade com a fronteira espanhola - obras que, na sua maior parte, se consubstanciam na sobrevivente muralha defensiva. Durante a crise dinástica de 1383-85, Marialva alinhou pelo partido do Mestre de Avis. No século XV, D. Afonso V concede-lhe o título de condado, para, no século XVII, D. Afonso VI elevá-la à condição de marquesado, cujo seu titular seria António Luís de Meneses, Conde de Cantanhede e valoroso combatente nas vitoriosas campanhas da Restauração, ocorridas em Elvas ou em Montes Claros.
A tentativa de assassinato do rei D. José I no ano de 1759 atingiu seriamente a vila de Marialva, já que o seu alcaide, o Marquês de Távora, foi implicado nesse atentado. Abandonada pela sua população, que iria povoar terrenos mais planos e menos amaldiçoados pela infeliz memória dos Távoras, Marialva entra num processo de lenta agonia, de que procura sair neste final do século XX, fazendo reviver o esplendor das suas memórias passadas.
O castelo de Marialva desenvolve-se em extensão e protege grande parte do cume onde se localiza a antiga povoação. Parte das suas cortinas defensivas estão derruídas, assim como o centro da vila, com as suas arruinadas casas de cantaria de modestas dimensões, o seu pelourinho e o seu cruzeiro, ou ainda alguns templos cristãos, como a Igreja de Santiago do século XVI. Quatro torres defensivas reforçam as robustas muralhas graníticas, rasgadas por igual número de portas. Em alguns trechos da muralha são ainda visíveis os caminhos de ronda e as escadarias de acesso a estes. Na parte mais elevada da fortaleza dispõe-se a cidadela, último reduto marcado pela altivez da torre de menagem coroada por ameias.
Como referenciar: Castelo de Marialva in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-15 14:52:10]. Disponível na Internet: