Castelo de Monsanto

As casas de Monsanto formam um notável conjunto de arquitetura popular, fortalecidas pela rocha granítica da sua alvenaria, bordejando a íngreme subida que conduz ao castelo.
Este ambiente rústico e natural é enriquecido por algumas casas nobilitadas - como o comprovam as suas fachadas ornamentadas por pesados brasões - e por uma série de templos cristãos.
Nas proximidades do Castelo surge a pequena Capela de S. Miguel, obra românica do século XIII e que se encontra em ruínas. A malha urbana da povoação culmina com a altiva e poderosa fortaleza. Em Monsanto, existiu um castro pré-romano, mais tarde transformado em Oppidum romano e em fortaleza de Suevos, Visigodos e Muçulmanos.
D. Afonso Henriques retoma a fortaleza para as armas cristãs no século XII, deixando aos templários a missão de a defender. A sua importância estratégica - dada a sua implantação no terreno e a proximidade da fronteira com Espanha - só termina no século XIX após as invasões francesas, altura em que as defesas de Monsanto são desativadas e a sua guarnição transferida.
O castelo roqueiro situa-se no topo do monte e o seu polígono defensivo é reforçado por diversas torres quadrangulares. Destacada e independente, pode-se observar a Torre do Peão, primitiva torre de vigia. Contempladas de longe, as suas poderosas e grossas muralhas parecem ser o prolongamento das penedias graníticas em que se apoiam. No interior da sua praça de armas podem-se observar mais duas cortinas defensivas, modernizadas no século XVII, a cisterna medieval, os largos adarves correndo ao longo dos derruídos parapeitos e a que se acedem por escadarias de pedra, bem como a Capela de N. Sra. do Castelo, construção remodelada nos finais do século XVII.
Considerada inexpugnável - apenas vencida uma única vez, durante as invasões francesas do século XIX e após uma violenta explosão no seu paiol de pólvora, o que motivou parte da sua ruína -, a fortaleza está ligada à maior festa de Monsanto. Trata-se da Festa de Santa Cruz, uma tradição profana ligada primitivamente ao ciclo da primavera e que seria, posteriormente, cristianizada e ligada ao lendário cerco do castelo. De acordo com algumas narrativas, isto ocorreu no tempo dos romanos, mas segundo outras, o acontecimento teve lugar nas lutas com os muçulmanos ou com os espanhóis.
Seja como for, os sitiantes procuravam vencer pela fome os defensores de Monsanto. De acordo com a tradição, o cerco durava há já quase sete anos e restavam apenas uma vitela e um alqueire de trigo. Uma das mulheres sugeriu que se recorresse a um engenhoso estratagema para enganar o adversário. Deram de comer à vitelinha o último trigo, após o qual a lançaram do alto das muralhas. A vitela desfez-se contra as rochas e do seu ventre saiu o trigo abundante. Os sitiantes entenderam que os defensores de Monsanto continuavam misteriosamente bem fornecidos de alimentos e protegidos pela presença divina, desistindo do longo e desgastante cerco (acontecimento que terá ocorrido a 3 de maio). Assim, segundo a tradição, nesta data as mulheres de Monsanto vestem-se com as suas garridas e ricas indumentárias, fazem ressoar os adufes e agitam no ar as marafonas, coloridas bonecas com armação em cruz, acompanhando velhos e alusivos cantares populares. Algumas mulheres transportam à cabeça potes caiados de branco, decorados e cheios de flores. A procissão abala da aldeia em direção ao castelo. Chegados aí, o pote branco é lançado do cimo da muralha e despedaça-se no meio dos penedos de granito, numa clara alusão à pequena vitela que salvou os sitiados de Monsanto.
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