Castelo de Moura

Localizado na margem direita do rio da Roda, subsidiário do rio Ardila, o local onde se ergue a atual Moura foi escolhido para o estabelecimento de vários povos estando bem representados os domínios romanos, muçulmanos e medievais.
Da importante povoação islâmica que terá existido em Moura nos dão conta as crónicas bem como os vestígios arqueológicos encontrados nos bairros do lado norte - Sete e Meio, Ladeira do Carmo e Sete Casas -, do lado oeste - Cova dos Lagartos, Matadouro e Mouraria -, na Praça, Rua Longa e Castelo. Dentre estes achados destacamos inúmeras moedas, algumas em ouro, lucernas, cerâmica, uma arqueta em marfim denominada "Mão de Fátima" e um número considerável de inscrições, hoje depositadas no Museu Municipal de Moura.
Já sob o domínio português sabemos que a comunidade muçulmana permanecia quer em número quer em atividade, como se pode depreender da extensão da mouraria ou do teor do foral concedido por D. Dinis, com bastante expressão social neste núcleo urbano. Da fortaleza que antecedeu o castelo cristão, atribuído a D. Dinis, conhecemos as ruínas do alcácer muçulmano e uma antiga torre da alcazaba, reutilizada como poço de água, identificadas respetivamente por Cristovão Aires e pelo arabista Nykl. Este último especialista detetou ainda nos paramentos da fonte que alimentava a fortaleza uma inscrição que se refere à torre de Almutadide Billahi (1012-1069), pai do famoso poeta sevilhano Almutamide (1040-1095). Nas plantas de Duarte de Armas está representada, numa vista de oeste, uma torre poligonal - a torre de Almutadide - com um grandiosos arco em ferradura.
Ponto fulcral da fortaleza, erguida no triângulo que perfazem os edifícios Torre de Menagem, Torre do Relógio e Convento Dominicano de Nossa Senhora da Assunção, esta fonte é constituída por uma porta baixa prolongada por uma escadaria em mármore. No piso inferior localiza-se, à direita, uma pequena câmara e ao fundo o bocal do poço também em pedra mármore. Segundo descrições do século XVIII daqui partiriam vários aquedutos que alimentariam muitos bairros da vila.
Persistem ainda alguns troços de muralha em taipa que possivelmente datam do reforço da fortificação no tempo dos abbádidas, durante o século XI.
A quando das demolições das casas localizadas no Castelo surgiram muitos elementos que documentam a longa e curiosa história de Moura.
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