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Castelo de Noudar
Em permanente vigília sobre os campos que se espraiam sobre Espanha, escolheram os nossos antepassados um morro destacado na paisagem, dotado de defesa natural pelas vertentes escarpadas sobre as ribeiras de Múrtega e Ardila, para a construção dos poderosíssimos muros que constituem a fortaleza de Noudar.

As explorações arqueológicas levadas a cabo ao longo dos anos revelaram que desde tempos longínquos este local foi apetecido sobretudo pela sua natural aptidão estratégica e militar. Aqui se encontraram numerosos vestígios pré romanos, romanos e sobretudo muçulmanos, povo que pela certa lançou as primeiras pedras da fortaleza atual.

O castelo é constituído por uma invulgar cerca hexagonal, de eixo longitudinal no sentido NO-SE, reforçada por numerosas torres e cubelos. O amplo terreiro serve de enquadramento a uma poderosa torre de menagem, de planta quadrangular, com quase 18 m de altura. O seu interior era, no século XVI, segundo Duarte de Armas, abobadado e provido de mais um aposento superior.

Neste pátio principal, obviando às carências provocadas pelos longos cercos que o castelo sofreu durante muitos séculos e aos duros verões secos, foram construídos, a par, dois poços cisterna que ofereciam grande quantidade de água.

Além do terreno ocupado pela alcáçova o espaço restante dividia-se, para o lado oeste, em campo de semeadura e para o lado este, na vila onde se encontrava a igreja abobadada, a casa de habitação, bem como as estruturas de apoio à vida quotidiana como o forno do pão. Relembrando técnicas construtivas primitivas levantam-se, circundando o castelo, uma série de construções antigas, de planta circular e cobertura de falsa cúpula, ligadas à pastorícia.

Quanto à data de construção do castelo atual, parece ter sido obra da Ordem de Avis por doação do monarca D. Dinis, aquando da posse portuguesa de Noudar, em 1295, com o Tratado da Guarda. Já existiria, contudo, uma fortificação neste local no século XII quando Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, a conquistou aos muçulmanos.

A sua posição na vanguarda da fronteira tornou-a vulnerável aos inúmeros danos do ponto de vista material mas sobretudo social. A desertificação de Noudar tornou-se um processo contínuo e sem retorno até culminar no seu total abandono e venda em hasta pública, em 1893.


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