Castelo de Penela

A importância que esta fortificação assumiu nos alvores da nacionalidade explica-se pela posição estratégica que ocupava na defesa da linha de fronteira de então entre cristãos e muçulmanos.
Ao moçárabe D. Sesnando, que vivia nesta região cristã, por um lado, mas ao mesmo tempo em termos sociais, económicos e culturais eivada do modus vivendi dos muçulmanos, entrega o rei castelhano-leonês o governo da cidade de Coimbra e a recuperação dos territórios vizinhos. A empresa teve sucesso em tempo imediato pois logo em 1065 o monarca D. Fernado Magno concede, entre outras povoações, a Penela, já então murada, carta de povoamento.
A fortificação, infelizmente, volta a cair em poder do inimigo pouco tempo depois. Não sabemos quantos mais cercos houve a esta povoação que entretanto deve ter ficado bastante danificada quer em termos materiais quer em termos sociais. A desertificação da povoação deve ter sido uma dessas nefastas consequências e assim se entende que D. Afonso Henriques, anos mais tarde, em 1137, lhe tenha concedido foral doando o castelo aos moradores da vila.
Os monarcas que se seguiram continuaram a favorecer o Castelo de Penela. Sabe-se que D. Sancho terá aqui realizado algumas obras que se consubstanciaram sobretudo no reinado de D. Dinis com a execução de uma série de obras e restauros e a ampliação da cerca muralhada que passava, desta feita, a cingir a vila que se expandia vertente abaixo.
A sua importância poder-se-á deduzir ainda do facto de ter sido escolhido para residência do príncipe herdeiro de D. Dinis, o nosso futuro monarca D. Afonso IV.
As últimas grandes obras que aqui se efetuaram remontam ao século XV demonstrando, desta maneira, D. João I o seu reconhecimento pelo papel desempenhado por esta fortificação e vila em 1383-1385.
No século XVIII, perdido já todo o protagonismo na defesa da fronteira, o castelo encontrava-se em estado de ruína. O forte abalo sísmico de 1775 derruba, por fim, a torre de menagem e uma das portas da cerca. Numerosas brechas e desmoronamentos contínuos no tempo levaram o Estado Português, já no século XX, a proceder a um amplo, se bem que polémico, programa de restauro e reconstrução.
O castelo é constituído por poderosa cerca elíptica reforçada por numerosos torreões quase todos de planta quadrangular. Ocupa uma área de cerca de meio hectare, alongada no sentido norte-sul, e os seus muros e torres atingem cerca de 20 metros na zona da porta do lado oeste. As portas desenfiadas providas de cotovelos que dificultam o acesso ao inimigo denunciam a complexidade construtiva típica dos muçumanos.
No ponto mais elevado do morro, sobre um imponente afloramento granítico, ergue-se o castelejo com a porta de arco apontado em aparelho afeiçoado, à qual se ascende por escadaria talhada na própria rocha.
O aparelho utilizado, em pedra granítica, apresenta-se apenas afeiçoado nos cunhais e em alguns troços dos muros conferindo mais robustez ou embelezamento à construção.
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