Castelo de Santiago do Cacém
Habitada já por tribos celtas, a antiga Miróbriga romana corresponde à atual vila alentejana de Santiago do Cacém, situada nas proximidades da orla marítima atlântica e do porto de Sines.
Submetida pelas legiões de Roma, esta próspera localidade integrou a jurisdição conventual de Beja - a antiga civitas romana de Pax Julia.
Posteriormente, a latina Miróbriga seria abandonada, optando os novos habitantes por ocupar a colina contígua. A nova povoação cresceu mais próxima da orla marítima, controlando a planície que se estendia a seus pés. Para tal desiderato, os novos habitantes decidiram desmantelar os bem talhados blocos de cantaria de Miróbriga e reutilizá-los na construção do seu novo castelo. Contudo, desconhece-se a volumetria desta renovada fortaleza.
Santiago do Cacém ressurge na memória dos homens com a Reconquista Cristã, sendo tomada, pela primeira vez, aos Mouros em 1158, como consequência da conquista de Alcácer do Sal por D. Afonso Henriques. Sujeita a pressões dos exércitos mouros nos anos subsequentes, Alcácer do Sal foi retomada pelas tropas muçulmanas do califa Iacub em 1190-1191.
Reocupado definitivamente no ano de 1217, o castelo de Santiago do Cacém foi doado à Ordem de Sant'Iago da Espada, procedendo os monges guerreiros à sua reconstrução.
Com uma planta geométrica aproximadamente retangular, a cerca do castelo conserva alguns vestígios da fortaleza muçulmana. Dez torres quadrangulares e cubelos semi-cilíndricos robustecem os panos de muralha ameados. Subsiste a quase totalidade da barbacã, também esta reforçada por cubelos. Adossada à zona sudeste da muralha está a antiga Igreja Matriz de Santiago, obra gótica do século XIV, com vestígios iniciais do românico e sinais artísticos de posteriores remodelações, localizando-se no seu interior o grupo escultórico em relevo de "Santiago combatendo os Mouros".
Na cidadela subsistem vestígios da antiga alcáçova e de outras construções militares, tendo servido no século XIX como cemitério local.
Perdendo importância estratégica após as Guerras da Restauração da segunda metade do século XVII, o Castelo de Santiago do Cacém entrou em acentuado processo de ruína e abandono, situação que seria invertida graças ao restauro efetuado neste século pela Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).
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