Castelo de Serpa

Na serena imensidão da planície dourada do Baixo Alentejo eleva-se uma colina coroada por um castelo medieval, dominando e vigiando em silêncio a bonita cidade de Serpa.
Esta cidade alentejana teria já sido fortificada no tempo da ocupação romana. O período seguinte está envolto em neblina, não estando documentado este tempo de ocupação pelos povos oriundos do Norte da Europa. Com toda a probabilidade, sucedeu-se o habitual cortejo de guerras e destruições, conquistas e reedificações, mas os vestígios materiais desse período jazem esquecidos na voragem do tempo.
O século VIII assinala a época da dominação muçulmana, que se prolongou ao longo de quase quatro séculos. A primeira investida cristã ocorreu em 1166, altura em que a cidade e o castelo foram ocupados. Contudo, 25 anos mais tarde, o exército almóada avançou irresistivelmente no Sul do País reocupando todo o Alentejo, com exceção para a cidade de Évora. Progressivamente, as tropas portuguesas passaram à ofensiva e retomaram, uma após outra, as antigas praças do Sul de Portugal. Serpa foi reocupada, definitivamente, em 1232 por ação de D. Sancho II.
Outra batalha iria ser travada, esta de carácter jurídico, opondo D. Afonso III e Afonso X de Castela. A disputa só iria terminar em 1283, com a cedência destas áreas à rainha D. Beatriz, filha de Afonso X de Castela e viúva de D. Afonso III de Portugal. O seu filho, o rei D. Dinis, reergueu poderosas e firmes as muralhas do renovado castelo de Serpa. A ele se deve a força que emana da dupla cerca amuralhada, reforçada por poderosos torreões semicirculares, isto apesar dos efeitos destrutivos que o tempo e os homens causaram ao seu perímetro defensivo. Esta fortaleza permaneceu fiel à causa nacional durante a crise de 1383-85 e, mais tarde, após 1640, ao longo das Guerras da Restauração.
Grande calamidade se abateu sobre a sua sólida estrutura no dealbar do século XIX, em consequência da denominada Guerra das Laranjas. Nessa altura, o duque de Ossuna, ao retirar o seu exército espanhol da cidade de Serpa, ordenou que se fizesse explodir os paióis de pólvora aí existentes.
O que resta da antiga fortaleza de Serpa demonstra a grandiosidade da sua construção. Num dos panos da muralha foi erguido um aqueduto de grandes arcos que marca, em parte, o ritmo da muralha exterior. Subsistem ainda as monumentais Portas de Moura e de Beja, os cubelos ameados, o imponente Solar dos Marqueses de Ficalho, edifício adossado às muralhas, e ainda a Torre do Relógio.
Extramuros, para além da graciosa silhueta do aqueduto, é de realçar a volumetria da antiga nora árabe. Consequência da fatídica explosão do século XIX, uma das portas arruinadas da fortaleza sustém, em precário e insólito equilíbrio, um enorme bloco de alvenaria.
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