Castro Alves

Poeta brasileiro, António Frederico de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847, na fazenda de Cabaceiras, em Muritiba (perto de Curralinho), hoje cidade Castro Alves, no Estado da Baía (Brasil).
Filho de um médico, mudou-se para Salvador com a família, em 1854, porque o pai passou a lecionar na Faculdade de Medicina de Salvador. Depois, foi estudar para o Rio de Janeiro, no Colégio Abílio César Borges, onde demonstrou talento para a poesia e, aos 17 anos, partiu para o Recife para estudar Direito.
Participou na vida literária e estudantil e começou a escrever poesias líricas e de carácter social. Conheceu a atriz portuguesa Eugénia Câmara (dez anos mais velha) para quem escreveu o drama Gonzaga ou a Revolução de Minas (publicado em 1875) que ela representou. Abandonado pela amante, Castro Alves levou uma vida boémia e intensa no Rio de Janeiro, onde conheceu José de Alencar e Machado de Assis que o introduziram no meio literário. Durante uma caçada, feriu-se acidentalmente num pé, com um tiro de espingarda, sendo amputado, em 1869, no Rio de Janeiro. Em consequência, passou a andar com um pé de borracha e com uma bengala de apoio. Em 1870, sofrendo de tuberculose, regressou à Baía, procurando melhorar a sua saúde. Aí, publicou o seu primeiro livro Espumas Flutuantes, o único publicado em vida. Apaixonou-se pela cantora lírica italiana Agnese Trinci Murri, em 1871.
A 6 de julho de 1871, não resistindo à doença, morreu no Estado de Baía, aos 24 anos. Patrono da cadeira n.º 7 da Academia Brasileira de Letras, Castro Alves escreveu ainda outras obras, como A cachoeira de Paulo Afonso (1876), Os Escravos (1883) e Manuscritos de Stênio (1883) e Obras Completas (1921), em que parafraseia ou traduz Byron, Lamartine e Musset.
Poeta da 3.ª geração do Romantismo brasileiro, conhecida como Condoreira, Castro Alves apresenta duas vertentes distintas na sua poesia. Por um lado, uma vertente lírico-amorosa, onde o amor e a mulher passam a ser concretos e reais; o tema da morte deixa de ser uma fuga e torna-se num obstáculo à realização dos desejos do poeta; a exaltação da natureza é constante, sobretudo na referência a grandes aves, como a águia e o condor (símbolo da Condoreira). Por outro, uma vertente social, influenciada pelo francês Victor Hugo. Apologista do movimento abolicionista e da causa republicana, escreveu em defesa da abolição da escravatura, o que lhe rendeu o título de "Poeta dos escravos".
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