catedral

Na Antiguidade Clássica e no Antigo Egito, os locais de culto tinham conotações femininas e masculinas, como são exemplo, respetivamente, os templos e os obeliscos ou pilares, numa homenagem à criação divina do Mundo. Na Antiga Grécia, existiam umas assembleias ou parlamentos políticos femininos chamados Eclésias, que surgiram durante os festivais anuais de Skira, em Atenas. Esta conotação política e de poder não teve continuação no Cristianismo, que sempre negou a autoridade e o poder espiritual feminino, mas Eclésia, a "Igreja", no sentido material de edifício e simbolismo, ficou como um dos nomes de Maria e a catedral, apesar de ser o reino do poder masculino eclesiástico, nunca deixou de ser feminina, a "Maria Eclésia".
A simbologia do espaço físico e arquitetónico da catedral estava também intimamente ligada ao universo terrestre e metafísico. A fé, a esperança e a caridade eram representadas pelas três portas, a roseta central era o Lago da Vida e o ponto de encontro entre a Terra e o paraíso, este último representado pela plataforma da catedral e os seus rios pelos quatro pilares da fachada. As suas paredes eram a redenção do Mundo, os contrafortes eram a força moral, os pilares eram os dogmas da fé, as espirais eram os dedos de Deus, só para fazer referência a alguns exemplos de uma longa lista de significados e correspondências. A fachada oeste, com a sua rosácea, era feminina e lunar.
Desde tempos muito antigos que os mesmos locais sagrados foram utilizados por diferentes cultos e religiões. Dentro deste princípio, as catedrais foram, na sua maior parte, edificadas em antigos locais de culto pagão e, para além de Maria que assumiu a concentração do culto da divindade feminina, muitas divindades foram substituídas por santos cristãos e muitos heróis pagãos enterrados nesses locais sagrados foram "recuperados" pela Igreja de Roma para o serviço da Fé e canonizados. Apesar de toda a simbologia feminina, as mulheres estiveram desde sempre afastadas de qualquer intervenção ativa na Igreja, nomeadamente dos concílios, e também fisicamente interditas nos dias "impuros" do mês ou nos 40 dias após um parto. Até ao século XIX, as mulheres eram impedidas de entrar nas igrejas se não vivessem com os seus maridos, proibição que só não era observada em situações muito excecionais.

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