cefalorraquidiano (anatomia)
O líquido cefalorraquidiano, também designado de fluido cerebrospinal, apresenta um aspeto límpido e transparente. Localiza-se ao nível do sistema nervoso central, onde ocupa o espaço subaracnoideu (situado entre duas das meninges, a pia-máter a aracnoideia, ao longo de todo o canal raquidiano e no crânio), o canal ependimário e os ventrículos cerebrais.
Este fluido renova-se continuamente, sendo produzido pelos plexos coroides (dobras vascularizadas da pia-máter, localizadas no sistema ventricular) e reabsorvido pelos corpúsculos de Pacchioni e pelos vasos sanguíneos das meninges.
A quantidade presente no corpo humano varia entre os 100 e os 150 ml, estando sujeito a uma pressão variável entre os 70 e os 200 mm de água. Na sua composição encontram-se poucos elementos figurados (isto é, células), existindo pequenas quantidades de proteínas, glicose, cloretos e ureia. O pH do fluido cerebrospinal é ligeiramente inferior ao do sangue arterial.
Uma alteração interessante dos valores do pH é a que ocorre em situações de problemas respiratórios, surgindo uma variação de sentido idêntico à do sangue arterial. No entanto, essa variação é oposta às flutuações arteriais, em caso de problemas metabólicos.
O líquido cefalorraquidiano atua como um amortecedor de choques mecânicos, protegendo o sistema nervoso central de impactos suscetíveis de causar danos. Intervém na regulação da pressão intracraniana, no transporte de metabolitos, neurotransmissores, neuro-hormonas e nutrientes, participando ainda na defesa imunitária do sistema nervoso central, já que apresenta alguns anticorpos e propriedades antibacterianas. A presença de grandes quantidades de glóbulos brancos no fluido cerebrospinal é, normalmente, indicador de meningite.
A obstrução do fluxo do líquido cefalorraquidiano pode desencadear um quadro clínico de hidrocefalia. Esta alteração caracteriza-se por provocar compressão do tecido nervoso cerebral e dilatação dos ventrículos cerebrais, podendo ocorrer afetação, ou mesmo perda, de importantes funções corporais. Os sintomas variam com a área cerebral mais afetada pela compressão, podendo surgir em qualquer idade. As principais causas são a ocorrência de traumatismos cranianos, craniotomias, meningite e hemorragias no espaço subaracnoideu.
A recolha de fluido cerebrospinal, para análise ou tratamento, é realizada por meio de uma punção lombar ou occipital.
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