Celestino III

Papa italiano, tendo sido aluno de Pedro Abelardo e condiscípulo daquele que seria o papa Celestino II, Jacinto Boboni-Orsini nasceu em 1116 e tornou-se cardeal por ordem do mesmo Clemente. Cumpriu as suas incumbências tão brilhantemente que não houve dúvidas quando se tornou necessária uma eleição para substituir Clemente III no trono papal. Eleito em março, as suas ordenação e consagração deram-se a 13 e a 14 de abril de 1191, respetivamente, tendo consagrado imperador Henrique VI no dia 15 do mesmo mês. Foi papa até 8 de janeiro de 1198.
Este pontífice, iniciando um processo de centralização administrativa, ordenou a elaboração do Liber censuum, onde Cencio Savelli (futuro papa Honório III) fez a relação das seiscentas e oitenta e duas propriedades pertencentes ao bispo de Roma. Além disso, contribuiu grandemente para que todos os assuntos, de qualquer ponto da Cristandade e que dissessem respeito à Igreja fossem resolvidos em Roma, pela cúria pontifícia.
Foi durante este papado que a quase totalidade dos territórios que integravam os Estados Pontifícios se desmantelaram, por razões de ordem política, e ficaram sob o jugo do imperador Henrique VI ou de senhores que lhe eram fiéis ou estavam ao seu serviço. A Igreja foi ressarcida dos bens que lhe estavam a ser retirados de diversas formas, entre as quais a substituição por rendas a receber das catedrais com mais relevância da Sicília.
Um ano antes da sua morte pretendeu renunciar ao trono pontifical, sentindo uma grande deceção ao verificar que as propostas e esforços de pacificação que fora fazendo a entidades temporais diversas (como a Ricardo Coração de Leão, que queria invadir França, e a Castela, Navarra, Leão e Portugal, que se guerreavam entre si em vez de combaterem o inimigo muçulmano comum) não obtinham qualquer resultado. Contudo, o Colégio cardinalício não aceitou a sua renúncia, continuando este homem de avançada idade a tentar semear a paz entre senhores temporais de vontades bélicas.
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