centro (simbologia)

O centro, juntamente com o círculo, o quadrado e a cruz, é um dos quatro símbolos elementares e primordiais, sendo talvez anterior a todos os outros, por representar o princípio e como tal o nascimento de tudo o que existe. O centro é também uma representação de Deus, pois Ele está no princípio e no fim da existência.
Ilimitado e universal, o centro está em toda a parte e em parte alguma, simbolizando a omnipresença divina. Os locais sagrados são organizados em relação a um centro, sejam igrejas, templos ou um simples presépio onde a figura central é uma manjedoura onde repousa o Menino. Cristo, o Messias, é o centro, tal como é venerado e representado em inúmeras obras de arte. Ele é o centro, mesmo que fisicamente não esteja colocado no centro da tela.
O centro reúne os opostos, concentra energias e é um eterno movimento de expansão e contração, de explosão e de implosão, um místico e real Big-Bang. O centro é o símbolo mais importante e universal, onde se situam a casa, a caverna, a Árvore da Vida, entre muitos outros símbolos de elevação, como também a montanha ou a pedra que, enquanto centros se tornam sagrados. O centro é o umbigo da Terra, como simbolizava o monte Garizim para os Samaritanos. O Rig-Veda indiano fala do umbigo do Incriado donde nasceram os mundos e do umbigo do deus Vixnu nasce o Universo que todos conhecemos. A vida não é conceptível sem um centro, nem tão, pouco a morte. O centro é magnético e atrai os elementos já que os movimentos são efetuados em relação a um ponto de referência. O centro é também um canal ou um meio de comunicação, é a ligação entre a criança e a mãe que lhe dá vida, como se todos os seres humanos estivessem encadeados uns nos outros através do umbigo. O centro é um símbolo de poder político, organizador, económico ou estatal, tal como se definem os imperadores, os reis, os presidentes ou os chefes. É a partir do centro que as correntes políticas se definem, concentrando o poder nos regimes ditatoriais ou descentralizando-o nas filosofias democráticas.
Entre os índios da América Central, o centro dos quatro pontos cardeais é o quinto Sol e também Quetzalcoatl, o deus do Sol nascente, que está rodeado de quatro sóis de cores branca, negra, azul e vermelha. Para os Astecas, o centro corresponde ao número cinco e representa, tal como em muitas outras culturas, o ser humano. As antigas assinaturas medievais e renascentistas eram organizadas em cruz a partir de um centro, o mesmo acontecia com muitos brasões e símbolos da nobreza e do poder.

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