Cerdà

Urbanista espanhol, Ildefons Cerdà nasceu em 1815, em Centelles, próximo de Barcelona. Com o objetivo de iniciar os seus estudos, muda-se para Barcelona em 1933, onde encontra uma cidade fragilizada por uma revolução industrial embrionária e em condições precárias de higiene, que viriam a dar origem a um surto de cólera em 1934. Apesar de se inscrever na Escola de Engenheiros de Madrid (onde completa a sua formação como engenheiro de caminhos de ferro em 1841), a cidade passa a ser o seu campo de estudos favorito, sem dúvida alertado pelas condições anteriormente descritas, que demonstravam a fragilidade da cidade tradicional face ao advento do desenvolvimento. Deste modo, pode-se dizer que inaugura uma nova disciplina - o Urbanismo -, onde considera como fundamentais preocupações a mobilidade (trazida da sua formação) e a comunicação (ligada ao aparecimento do telégrafo) no desenvolver de uma cidade capaz de suportar as novas necessidades modernas.
No decorrer da sua carreira elabora uma série de planos de reforma da cidade, onde se destacam o Projeto de Reforma de Barcelona (conhecido como Plano Cerdà) e o anteprojeto de Reforma Interior de Madrid, sob a forma de uma obra escrita com o título de Teoria de Viabilidade Urbana, onde desenvolve teoricamente a reforma da cidade tradicional. Posteriormente, com base na experiência desenvolvida, redige aquele que é considerado como o primeiro tratado moderno de Urbanismo, a Teoria Geral da Urbanização, previsto com modelo-base para o desenvolvimento das cidades espanholas. Contudo, a sua obra mais conhecida é sem dúvida o Plano Cerdà, do qual nasce a cidade de Barcelona tal como a conhecemos, e que ainda hoje surpreende pela capacidade demonstrada pelo seu autor na previsão dos usos e movimentos de que a cidade dos nossos dias se caracteriza. Já na data da sua elaboração, Cerdà aplicou princípios higienistas, ao conceber uma malha de quarteirões de sensivelmente 113 metros, os quais se encontravam orientados diagonalmente ao movimento do Sol, de modo a que nenhuma das faces do quarteirão ficasse exclusivamente a norte. Deste modo, em conjunto com a dimensão do pátio interior do quarteirão, que idealizava ajardinado, conseguia que qualquer uma das faces dos edifícios implantados fosse suficientemente ensolarada. Em termos de mobilidade, concebe ruas de 20 metros, hoje banais, mas que na altura foram consideradas exageradas para o trânsito existente em 1860, mas que Cerdà pretendia já adaptadas às futuras máquinas que iriam povoar as ruas da cidade futura... à semelhança do que hoje acontece nas atuais cidades. Do mesmo modo, os cantos cortados dos quarteirões visavam permitir um raio de curvatura da rua que se adaptasse aos veículos de locomoção dos quais só existiam ainda teorias e poucos exemplos práticos. Como prova da sua capacidade de visão, Barcelona ainda hoje é capaz de suportar os usos infligidos, tendo sido apenas acrescentada uma circular exterior à cidade por ocasião dos Jogos Olímpicos, em 1992.
Com o decorrer da sua vida, vai adotando uma postura cada vez mais política, chegando a ser nomeado vice-presidente da Comissão Provincial da Primeira República Espanhola, o que origina a sua queda em desgraça quando a Restauração substitui esta última, votando-o ao esquecimento durante um longo período de tempo. Faleceu em 1876.

Como referenciar: Cerdà in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-01-18 21:04:34]. Disponível na Internet: