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cervo (simbologia)
O cervo, assim como os animais que a ele se assemelham, como o gamo, o alce e a gazela, é um símbolo de pureza primordial, de liberdade, de fecundidade e de vida. O cervo está associado à renovação cíclica e aos renascimentos do Universo, do Sol ou do Homem. O cervo é também aquele que conduz para a luz divina e, por essa razão, um revelador e um mediador entre o Céu e a Terra.
A simbologia do cervo está presente tanto nas representações cristãs como nas tradições muçulmanas, orientais e do Novo Mundo. As suas hastes são muitas vezes associadas à Árvore da Vida, como é o caso entre os índios americanos, cujas danças e crenças representam essa relação milenar. A pele deste animal é sagrada em muitas destas culturas e utilizada para representar as divindades, nomeadamente o deus Sol, ou utilizada nos rituais religiosos como representações divinas. As crenças índias também associam o cervo ao acesso à luz divina e consideram-no, tal como o cavalo na Ásia e na Europa, um guia na passagem entre a vida e o mundo das divindades e dos mortos.
Ao cervo está também associada a ideia de liberdade e velocidade. Na Antiguidade clássica grega e romana, o cervo era o animal da deusa Diana. Artemisa conduzia com rédeas de ouro um carro atrelado com cervos. Os cervos estão muito presentes também nas lendas e na iconografia celtas, onde simbolizam longevidade e abundância, como é o caso do deus Cernunnos, que tinha cabeça de cervo. Na Irlanda, conta a tradição que São Patrício se transformou em cervo para escapar à perseguição de um rei pagão. Entre os celtas, os cervos são também considerados uma espécie de guias para o outro mundo.
No budismo, o cervo de ouro é uma das representações do próprio Buda, no sentido daquele que acalma os desejos e as paixões. No Oriente, tanto na China como no Camboja, o cervo é um elemento negativo relacionado com a seca, com os incêndios e a destruição pelo calor e pela asfixia. Na Bíblia, os cervos são muitas vezes associados às gazelas, e simbolizam as qualidades de Cristo, como a imagem utilizada por Origenes, em que Cristo era comparado a uma gazela na sua teoria e a um cervo nas suas ações.
Os chineses consideram ainda que as hastes dos cervos têm propriedades afrodisíacas e, por arrastamento, têm uma simbologia de imortalidade. Os gauleses usavam talismãs feitos de chifres de cervos e ossadas destes animais foram encontradas em sepulturas humanas, juntamente com as ossadas de cavalos. O facto do gamo, na sua corrida, colocar as patas traseiras nas marcas das patas dianteiras leva alguns povos a verem nesta ação um exemplo para que o homem siga a tradição dos seus antepassados. No mundo das Artes e das Letras, o cervo é ainda o símbolo da prudência, que acompanha os ventos e reconhece as plantas medicinais, mas também o símbolo do amor apaixonado, representado junto de Afrodite e Adónis.

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