Charles Boyer

Ator francês nascido em 28 de agosto de 1897, em Figeac, e falecido a 26 de agosto de 1978, vítima duma overdose de barbitúricos. Tornou-se num dos maiores galãs românticos de Hollywood durante as décadas de 30 e de 40, contracenando com Greta Garbo, Ingrid Bergman, Hedy Lamarr e Irene Dunne. Iniciou a sua carreira como ator ainda no cinema mudo em L'Homme du Large (1920). Marcando também uma presença frequente nos palcos, gradualmente, a sua presença e carisma guindaram-no para papéis cinematográficos mais importantes, protagonizando L'Esclave (1923), La Barcarolle D'Amour (1929) e Le Procès de Mary Dugan (1930). Consagrado como um dos maiores galãs do cinema gaulês, não resistiu ao apelo dos estúdios de Hollywood que apostaram nele para substituir estrelas decadentes que não se adaptaram à transição para o cinema sonoro. Contudo, a dificuldade de Boyer em falar corretamente a língua inglesa fez com que os seus filmes iniciais em Hollywood fossem fracassos comerciais, o que o levou a regressar à Europa, trabalhando na Alemanha e em França. Foi Marlene Dietrich que instou os produtores de The Garden of Allah (O Jardim de Alá, 1936) a contratar Boyer como seu par romântico, na pele do príncipe Boris Androwsky. O êxito do filme foi imediato e, apesar do sotaque, Boyer começou a construir uma carreira sólida no cinema norte-americano. O seu enérgico retrato de Napoleão Bonaparte em Conquest (Maria Walewska, 1937) mereceu-lhe uma nomeação para o Óscar de Melhor Ator, que veio a repetir no ano seguinte com o seu inesquecível e elegante ladrão Pepe le Moko em Algiers (O Fugitivo Desceu à Cidade, 1938). Durante a II Guerra Mundial, procurou intensificar as relações de amizade entre os EUA e a França, tendo, por isso sido agraciado com um Óscar Honorífico em 1942. Provou toda a sua versatilidade em Gaslight (Meia Luz, 1944) onde interpretou o papel sinistro de Gregory Anton, um homem calculista que tenta levar a sua mulher à loucura para lhe ficar com a fortuna. Numa prestação pouco convencional que fugiu aos registos anteriores de Boyer, este foi nomeado para o Óscar de Melhor Ator. Em 1945, conseguiu a cidadania norte-americana e iniciou uma bem sucedida carreira na Broadway e mais tarde na televisão, tendo sido um dos fundadores da Produtora Four Star. Voltou à noite dos Óscares em 1961, onde arrecadou mais uma nomeação para o galardão de melhor ator por Fanny (1961). Após ter sido dirigido por Vicent Minnelli no filme de guerra Four Horsemen of the Apocalipse (Os Quatro Cavaleiros do Apocalise, 1962), viveu uma tragédia pessoal devido ao suicídio do seu filho, em 1965. Tal acontecimento fez com que a sua carreira fosse um pouco afetada, limitando-se, nos anos seguintes, a prestações secundárias em grandes produções como Casino Royale (1967) e Lost Horizon (Horizonte Perdido, 1973). O seu último trabalho foi A Matter of Time (1976). Dois dias após ter enviuvado (a sua mulher era a atriz britânica Patricia Peterson), suicidou-se.
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