Charles Mingus

Contrabaixista e compositor jazz norte-americano, nasceu a 22 de abril de 1922, em Nogales, Arizona, e morreu a 1 de maio de 1979. Foi criado no bairro de Watts, o subúrbio negro e pobre da rica Los Angeles. Em 1951, transferiu-se para a meca do jazz, Nova Iorque, e começou a sobressair ao lado das estrelas nascentes que eram Miles Davis e Max Roach. Com este fundou, em 1952, uma editora independente, a Debut, preâmbulo do futuro Jazz Workshop, que Mingus pretendia que fosse um território de liberdade criativa, desprendido dos ditames da indústria discográfica e sempre um passo em frente da constante apropriação que os diletantes brancos faziam da última onda do jazz. De facto, para Mingus, o jazz ou era negro ou era branco.
Como instrumentista, Mingus teve poucos à altura. O modo vigoroso como dedilhava o contrabaixo, capaz de o fazer sobrepor a instrumentos bem mais sonoros, e a perfeita noção de ritmo, fizeram dele um executante à beira da perfeição. Mas foi como compositor e líder que a sua cultura musical influenciou muitos músicos que com ele tocaram e aprenderam. No seu estilo, mesclava-se a tradição do jazz, dos blues, do gospel, com a música clássica, nomeadamente Debussy e Bartok. Com esta prodigiosa harmonia entre um vanguardismo radical e um tradicionalismo sem cedência, a música de Charles Mingus nunca foi fácil nem facilmente enquadrável em géneros. A sua componente política e a grande liberdade harmónica, colocam-na, assim, num lugar único.
Ao longo das décadas que a sua carreira durou, tocou com Mingus toda a gente que era alguém no jazz. Era um contrabaixista com uma missão: retirar o jazz das garras do comercialismo. Por isso, para muitos, ele é o exemplo do artista politizado, em permanente estado de revolta e alerta. Grande, corpulento e grave, a atitude de Mingus foi sempre a de um génio irascível.
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