Charneca em Flor

Coletânea de sonetos publicada em 1931, no ano seguinte ao do suicídio da jovem poetisa, Florbela Espanca, com organização do amigo e admirador Guido Batteli. A escolha do soneto como forma dominante da arte poética estabelece, nesta obra, uma intertextualidade visível, também a nível temático, com uma linhagem lírica que, partindo de Camões, passa ainda por Bocage e por Antero. Colhendo do poeta pré-romântico uma hipertrofia do eu e certa hiperbólica exaltação no tratamento das temáticas do amor e da morte, e do poeta açoriano a expressão de desalento na constatação da fatuidade das aspirações humanas ("Perdi os meus fantásticos castelos / Como névoa distante que se esfuma... / Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los: / Quebrei as minhas lanças uma a uma!"), Florbela Espanca utiliza esta forma poética para dar corpo a uma conceção de poeta como ser dotado de uma sensibilidade excecional, para explorar até ao extremo o lirismo do amor e da dor como forma de autoconhecimento e até de auto-mitificação: "Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem / Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem... / Sou um reflexo... um canto de paisagem / Ou apenas cenário!".
Como referenciar: Charneca em Flor in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-11-30 05:25:12]. Disponível na Internet: