chupa-cabras

Chupa-cabras é a designação de origem hispânica atribuída a um ser macabro, considerado de natureza mitológica, que atingiu fama mediática no início dos anos 90 do século XX, por via de pretensos ataques a animais que se tornaram notícias televisivas em todo o mundo. Trata-se de um ser que ataca diferentes espécies de animais em zonas agrícolas e rurais, quase sempre na América Latina (México, Argentina, Brasil, Chile) e no Sul do Estados Unidos (Texas).

Os ataques normalmente atribuídos ao chupa-cabras configuram atos bizarros, pois cadáveres dos animais mortos surgem completamente sugados do seu sangue, apenas se distinguindo marcas de fortes dentadas no pescoço. Os ataques devem ser fulminantes e sem capacidade de reação ou defesa, ou mesmo de deteção do predador, pois as presas não apresentam sinais disso. Algumas teorias defendem até que os chupa-cabras conseguem hipnotizar as suas vítimas através do olhar, paralisando-as de terror e inação.
Não há unanimidade quanto ao aspeto desta fera monstruosa, com as descrições da sua aparência e fisionomia a variar de região para região, como é também distinta a atribuição da sua origem e tipo de animal, caindo-se sempre na contradição descritiva. Uma das lendas mais populares, originária da América Central, a área de maior incidência dos seus ataques, apresenta-o como uma criatura pequena (1 metro), com pele esverdeada e escamosa, com olhos grandes e salientes e uma cabeça ovalada. Uma versão latina de uma outra aberração de origem pretensamente extraterrestre, o designado monstro cinzento de Roswell, localidade norte-americana onde se produziram as suas "aparições" mais marcantes, na primeira metade do século XX.

Outras versões fixam à besta um fácies canino numa estrutura humanoide, embora monstruosamente curvada, com a espinha dorsal saliente, como sucede em vários répteis (iguana) ou sáurios. O requinte anatómico de algumas descrições fantasiosas atribui à criatura também uma espécie de filamento bocal, o qual servirá, diz-se, para sugar o sangue das suas vítimas. Como outras criaturas criptozoológicas, o chupa-cabras também tem deixado eventuais pegadas, com distanciamentos entre as mesmas que podem ir até aos quatro metros, o que tem feito pensar que além de ser veloz é também um excelente saltador.

A primeira menção ao aparecimento do chupa-cabras remonta à década de 60 do século XX, mas como fenómeno mediático atinge o seu auge em finais dos anos 80 e princípios da década de 90, quando a sua fama televisiva chegou até a produzir um curioso merchandising da sua figura, com comercialização de artigos referentes ao tema (t-shirts, bonés, bonecos, etc.), um pouco à imagem daquilo que se passa na Escócia com o designado Monstro de Loch Ness (ou "Nessie").

Mas foi no ano de 1992, mais concretamente na ilha de Porto Rico, que o fenómeno do chupa-cabras ganhou foros de notoriedade televisiva, com a mediatização das mortes de muitos animais presumivelmente atacados pela dita besta. Muitos começaram por lhe chamar O Vampiro de Moca, porque as primeiras mortes deram-se na cidade de Moca, em Porto Rico. Depois, relatos similares aparecem em outras cidades e países, quase sempre latino-americanos e também no Texas, onde a cultura hispânica é forte.

Como em todos os fenómenos congéneres, a maior parte dos cientistas não cauciona a teoria do "chupa-cabras" enquanto monstruosidade feroz de origem mítica ou extra-terrestre, mas antes uma forma simplista e popular de explicar ataques fulminantes e súbitos de animais caninos ou felinos bravios, pois todos os restos da criatura deixados nas vítimas (pelos) têm sido cientificamente (análise de ADN) relacionados com aqueles animais (cães selvagens ou lobos), além de o esgotamento do sangue nas vítimas não estar também explicado ou ser demonstrável.

Este esvaziar científico da tese mitológica do chupa-cabras ganhou peso em 2000, quando foi encontrado, na Nicarágua, um suposto cadáver de chupa-cabras. Mesmo sendo um cadáver de um corpo animal invulgar, pelas formas e dimensão, os testes e estudos científicos revelaram tratar-se de um cão selvagem de aparência maior e mais feroz, um híbrido talvez ou um espécime mais bizarro, como sucede em quase todos os mamíferos, por razões várias de evolução biológica.
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