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cinema de ficção científica
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Ficção científica é dos géneros de cinema mais difíceis de definir, apesar de as pessoas terem uma ideia daquilo que significa. As próprias palavras - ficção - porque se passa no mundo da imaginação - e científica - porque aborda as áreas das ciências - são limitativas, porque este género, que cada dia ganha mais adeptos, caracteriza-se por não ter limites. Na verdade, muitas vezes, a ficção científica não é mais do que o futuro em flashback e muitos dos autores literários de ficção científica eram cientistas que punham no papel as ideias que eram demasiado avançadas ou assustadoras para ser assumidas na vida real.

Júlio Verne (1828-1905) é o escritor mais conhecido de todos deste género de ficção. Muitas das suas obras, levadas ao cinema - como Le Voyage Dans la Lune (Viagem à Lua, 1902) por Georges Méliès (ele próprio o precursor de filmes de ficção científica) -, vieram provar a possibilidade de se tornarem reais. Júlio Verne sintetizou numa frase aquilo que talvez possa definir a ficção científica: "Tudo aquilo que um homem consegue imaginar pode ser realizado por outro homem".

Cartaz do filme "Star Wars" (A Guerra das Estrelas, 1977), realizado e produzido por George Lucas
Cartaz de "2001: A Space Odyssey" (2001: Odisseia no Espaço), um filme de Stanley Kubrick, de 1968, baseado numa obra de Arthur C. Clarke
Cartaz de "The Matrix", filme de 1999, realizado pelos irmãos Wachowski e protagonizado por Keanu Reeves e Laurence Fishburne, entre outros
Cartaz de "Blade Runner", um filme de Ridley Scott, de 1982, no qual participaram Harrison Ford e Sean Young, entre outros
No plano literário, existe um outro nome importante deste género que é H. G. Wells (1886-1905), autor de várias obras que inspiram uma importante cinematografia e de várias obras sobre viagens à Lua, tendo inspirado também a obra de Méliès. Depois do já citado Georges Méliès, o realizador Fritz Lang foi também um dos primeiros a desenvolver este género, através de filmes como Metropolis (1925). Wells, na literatura, e Lang, no cinema, tiveram, entre outros, o mérito de tornar o cinema de ficção científica como um género sério, de adultos.

As viagens à Lua inspiram muitos filmes nas décadas seguintes e muitos realizadores de diferentes origens seguiram os passos de Méliès. O catalão e espanhol Segundo de Chomón (1871-1929), no seu filme Hotel Elétrico (1905), narra a aventura de um casal num hotel supermoderno, antecipando a mecanização do mundo e foi inventor do processo de imagem por imagem e um dos pioneiros a utilizar o travelling, em 1913.

Na Grã-Bretanha, surge Robert William Paul (1869-1943), com uma obra interessante de que são exemplos Voyage of the Artic (1903) ou The Motorist (1906). Na Alemanha, é Fritz Lang o expoente máximo deste género, com filmes que são uma lúcida antevisão do futuro. É ainda considerado por muitos como o primeiro autor cinematográfico de ficção científica. Fritz Lang chegou a realizar filmes em França e foi contratado pelo produtor David O. Selznick para realizar Fury (Fúria, 1936), o seu primeiro filme americano de cerca de mais de vinte que realizou até 1956, ano em que voltou para a Alemanha.

Nos EUA, a ficção científica tardou a assumir um estilo próprio, dado que as primeiras películas deste género foram cópias dos filmes de Méliès e Segundo de Chaumón. Só no início da década de 20, a adaptação de Dr. Jekyll para cinema realizado por John Robertson conhece algum êxito, assim como A Message from Mars (1921), de Maxwell Carger, e, a partir de então, o cinema americano não mais deixou de abraçar este género até aos nossos dias.

Com o crash de 1929 e a Grande Depressão, a ficção científica radicou-se como uma forma de catarse junto do público, com filmes como Frankenstein (1931), Dracula (Drácula, 1931), Dr Jekyll and Mr. Hyde (O Médico e o Monstro, 1932), The Day the Earth Stood Still (O Dia em que a Terra Parou, 1951), entre outros, sendo que muitas destas obras misturam o género do terror com a ficção científica.

Muitos filmes deste género foram tendo novas versões e adaptações até aos nossos dias. Os anos 50 foram a época dos filmes que abordavam os perigos para a humanidade, através de manipulações de laboratório, como Tarantula (Tarântula, a Aranha Gigante, 1955), de Jack Arnold, ou mutação de partes do corpo, como The Man With X-Ray Eyes (1963), de Roger Corman, ou retrocessos na escala evolutiva normal, como Beneath the Planeie of the Apes (O Segredo do Planeta dos Macacos, 1970), de Ted Post.

Nos anos 60, salientam-se Jean-Luc Godard, com Alphaville (1965), François Truffaut, com Fahrenheit 451, Alain Resnais, com Le Dernier Année a Marienbad (O Último Ano Em Marienbad, 1961), Stanley Kubrick, com o excelente Doctor Stangelove (Dr. Estranho-Amor, 1964), A Clockwise Orange (Laranja Mecânica, 1971), e a sua obra-prima 2001, A Space Odyssey (2001, Odisseia no Espaço, 1968). Este último filme marcou um parâmetro de qualidade no cinema de ficção científica que até aos nossos dias não foi superado em conceito, embora provavelmente o tenha sido em termos de técnica.

Para além dos filmes de ficção científica, como as várias edições de Star Wars (A Guerra das Estrelas, 1977), de George Lucas, o excelente Blade Runner (1982), de Ridley Scott, Close Encounters of the Third Kind (Encontros Imediatos de 3.º Grau, 1977), E.T. (1982), A.I. (Inteligência Artificial, 2001) e Minority Report (Relatório Minoritário, 2002), de Steven Spielberg, remakes de vários êxitos do passado, como The Fly (A Mosca, 1986), de David Cronenberg, entre muitos outros, existem incursões deste género em filmes de outros géneros, como tem vindo a ser o caso de alguns dos filmes da saga 007.

O cinema de ficção científica é um género normalmente do agrado do público, mesmo tratando-se de repetições de temas anteriores, como é o caso de alguns dos filmes, embora com efeitos técnicos cada vez mais avançados e surpreendentes. Para além disso, existem incursões em novas realidades do mundo da comunicação que induzem em mutações no corpo e na mente humana, como são exemplo emblemático os casos de Matrix (1999), dos irmãos Andy e Larry Wachowski, eXistenZ (1999), de David Cronenberg e The Cell (A Cela, 2000), de Tarsem Singh.

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Como referenciar
cinema de ficção científica na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$cinema-de-ficcao-cientifica [visualizado em 2026-07-15 08:05:17].
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